A rápida desaceleração no crescimento da demanda chinesa por petróleo tem levado a uma redução do consumo mundial, o que reforça as expectativas de que a demanda atingirá seu pico até o fim da década, avalia a Agência Internacional de Energia (AIE).
A organização, que tem sede em Paris, mudou sua previsão de crescimento da demanda mundial de petróleo neste ano de 970 mil barris por dia para 903 mil b/d — sua segunda revisão para baixo em apenas dois meses. Ao mesmo tempo, deixou praticamente inalteradas as estimativas de crescimento para 2025, em torno de 954 mil b/d. A demanda total é estimada em média de 103 milhões de b/d este ano e de 103,9 milhões de b/d no próximo ano.
As projeções da AIE continuam substancialmente mais baixas do que as da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). No início da semana, o cartel anunciou uma leve redução em sua previsão, mas ainda estima que um forte crescimento na demanda de 2,03 milhões de b/d este ano e 1,74 milhão de b/d em 2025.
No primeiro semestre deste ano, o crescimento mundial da demanda continuou a desacelerar, com aumento de 800 mil b/d no ano, o menor volume desde 2020, segundo a agência.
“O principal motor dessa retração é uma China em rápida desaceleração”, avaliou a AIE. Em julho, o consumo na segunda maior economia do mundo sofreu uma contração de 280 mil b/d, quarto mês consecutivo de queda. Para efeito de comparação, o ritmo de crescimento médio ao longo de 2023 foi de cerca de 1 milhão de b/d.
“O freio repentino do crescimento da demanda chinesa por petróleo a partir do início do ano tem um impacto profundo nos mercados”, informou a AIE, que citou a crise prolongada do setor imobiliário do país e o aumento da participação dos veículos elétricos no mercado automotivo.
A expectativa para 2024 é que a expansão da demanda por petróleo da China seja de apenas 180 mil b/d. A desaceleração no consumo é mais aparente em produtos industriais, como a nafta e o diesel. A AIE avalia que a China pode chegar antes do previsto ao nível de estabilidade da demanda.
“Como a China está ficando para trás em relação à tendência prevista, outros países asiáticos se tornarão cada vez mais indispensáveis para o crescimento da demanda por petróleo”, acrescentou a agência. Ao mesmo tempo, a situação atual da demanda dos EUA é incerta e outras economias avançadas também apresentam um cenário bastante desigual.
O relatório da AIE de ontem foi divulgado depois que os preços do petróleo despencaram na semana passada, como reflexo das preocupações cada vez maiores a respeito da demanda mundial e das perspectivas de um mercado com excesso de oferta em 2025. O enfraquecimento dos preços levou a Opep e seus aliados — o grupo conhecido como Opep+ — a adiar em dois meses um aumento planejado da produção, mas a medida não foi suficiente para reverter as perdas acentuadas nos preços.
Ontem, o preço do petróleo tipo Brent — referêncial mundial — foi negociado a US$ 71,97 por barril.
Segundo a AIE, a oferta mundial de petróleo aumentou em 80 mil b/d em agosto, um ritmo bem inferior ao de julho, por causa de perdas de produção na Líbia e de obras de manutenção na Noruega e no Cazaquistão. A oferta total atual é estimada em 102,9 milhões de b/d em média este ano e de 105 milhões de b/d no próximo.
Os países que não integram a Opep+ ainda estão no rumo de liderar o fornecimento mundial, com previsões de que a produção cresça em 1,5 milhão de barris por dia em 2024 e 2025, impulsionada por EUA, Guiana, Canadá e Brasil.
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Fonte: Valor Econômico
