10 Nov 2022
Disputa foi mais acirrada do que o previsto, deixando resultado incerto; futuro do Senado depende de três Estados: Arizona, Nevada e do segundo turno na Geórgia
Contrariando as pesquisas e as expectativas de analistas, os democratas conseguiram uma proeza: conter a “onda republicana” nas eleições de meio de mandato nos EUA. Mais de 24 horas após a votação, o controle da Câmara e do Senado seguiam indefinidos em razão de disputadas apertadas em várias partes do país.
Não era esse o desenho esperado antes da votação. Animados com a baixa popularidade do presidente americano, Joe Biden, com a alta da inflação e do custo de vida, os republicanos apostavam que retomariam o controle do Congresso levados por um arrastão de votos.
Na terça-feira, os americanos renovaram todos os 435 deputados da Câmara, que têm mandato de dois anos, 35 dos 100 senadores, 36 governadores e centenas de cargos locais. Normalmente, o partido do presidente eleito dois anos antes sai derrotado das urnas e a expectativa era que, desta vez, Biden teria pela frente uma tempestade perfeita.
ABORTO. Nas últimas semanas, os democratas escalaram o expresidente Barack Obama, ainda muito popular na base do partido, para fazer campanha em lugares estratégicos. Biden também colocou o pé na estrada em um esforço de última hora. Para contornar o problema da imagem, os democratas usaram o aborto como arma.
Como o voto não é obrigatório nos EUA, os partidos tentam mobilizar suas bases inserindo algum tema controvertido na campanha, que seja capaz de tirar seus eleitores de casa. Quando a Suprema Corte acabou com o direito federal ao aborto, devolvendo aos Estado a possibilidade de legislar sobre a questão, os estrategistas democratas viram uma oportunidade de reduzir a desvantagem nas pesquisas.
que o aborto foi o segundo tema mais importante na hora de os americanos decidirem o voto – atrás apenas da economia. Isso impulsionou o comparecimento de eleitores democratas, segundo analistas. O resultado foram disputas apertadas, ainda indefinidas.
Os republicanos ainda são favoritos para retomar o controle da Câmara. Eles elegeriam, segundo projeções, cerca de 220 deputados – um crescimento de 8 cadeiras. Os democratas perderiam 5 e ficariam com 215 deputados – bem menos do que o esperado, entre 30 e 40 congressistas a menos.
Já o controle do Senado dependerá da disputa em três Estados: Geórgia, Arizona e Nevada. Os dois partidos elegeram 48 senadores – na verdade, os republicanos têm 49, contando com a eleição certa de um senador no Alasca, que ainda não concluiu sua apuração.
Por isso, os democratas precisam vencer duas das três disputas que restam para empatar em 50 a 50, o suficiente para obter o controle do Senado, já que o voto desempate fica nas mãos da vice-presidente, Kamala Harris.
Na Geórgia, a disputa foi para o segundo turno – o único Estado que aplica essa regra – e será definida apenas no dia 6 de dezembro. Arizona e Nevada, com candidatos praticamente empatados, começaram ontem a contar os votos enviados pelos correios, o que reduziu o ritmo da apuração.
DECEPÇÃO. Diante desse quadro, a decepção dos republicanos era palpável. “Definitivamente não foi uma onda republicana”, admitiu o senador Lindsey Graham. “Não foi o que eu esperava”, afirmou Ted Cruz, que havia previsto um “tsunami” nas urnas.
Quem festejou foi Biden. Ele disse que os americanos enviaram uma mensagem clara de apoio à democracia e ao direito de aborto. “Foi um ótimo dia para a democracia. Um ótimo dia para os EUA”, disse. •
Fonte: O Estado de S. Paulo