Em dezembro, indicador subiu 0,36%, depois de recuar 0,59% no mês anterior
Por Rafael Rosas — Do Rio
16/12/2022 05h01 Atualizado há 4 horas
A expectativa sobre a demanda chinesa foi fundamental para que o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) voltasse a registrar variação positiva em dezembro. A afirmação é de Matheus Peçanha, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
Em dezembro, o IGP-10 subiu 0,36%, depois de recuar 0,59% no mês anterior. A aceleração foi puxada pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem peso de 60% e subiu 0,31%, depois de recuar 0,98% no mês passado. Entre os produtos, a maior influência positiva foi do minério de ferro, que tinha recuado 9,69% em novembro e subiu 12,08% este mês.
“A alta do minério em dezembro quase devolveu toda a queda do ano”, frisou Peçanha, lembrando que o minério de ferro terminou 2022 com recuo de 0,2%.
Segundo ele, o que vinha puxando as recentes quedas dos IGPs era justamente o comportamento da demanda chinesa – que reflete diretamente nas commodities -, que vinha sendo afetada pelas restrições determinadas pelo governo para o enfrentamento à covid-19.
Com a mudança na política chinesa e a consequente alteração das expectativas sobre a economia local, houve um “efeito cascata” sobre os preços das commodities, causando impacto principalmente no IPA.
No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no IGP e subiu 0,58% em dezembro depois de uma alta de 0,67% em novembro, a principal pressão de alta este mês foi da alimentação, que subiu 1,12%.
Para os próximos meses, Peçanha destaca que os IGPs dependerão, no atacado, da demanda chinesa sobre commodities. Nos preços ao consumidor, eventuais pressões sobre a oferta de alimentos e reajustes de preços administrados deverão trazer pressão.
“A gente já tem inflação forte contratada de administrados no primeiro trimestre”, disse Peçanha, lembrando reajustes anuais de medicamentos, planos de saúde e transportes urbanos, entre outros. “Trabalhamos com perspectiva de preços administrados bem fortes no primeiro bimestre.”
Para o ano que vem, a projeção do economista é de um IGP na casa dos 6,5%, em linha com os 6,08% observados pelo IGP-10 neste ano. “A economia global segue desacelerada. Ano que vem deve ser semelhante a este ano, com uma inflação mais forte no primeiro semestre, desacelerando na segunda metade do ano”, projeta Peçanha.
Fonte: Valor Econômico