Por Lucianne Carneiro — Do Rio
14/10/2022 05h01 Atualizado há 4 horas
A deflação registrada em setembro pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu todas as faixas de renda, com exceção dos mais ricos, mostra estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado ontem. O IPCA de setembro ficou em -0,29%, após queda de 0,36% em agosto.
O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda apontou que inflação do segmento de renda muito baixa caiu 0,21% em setembro (tinha sido de -0,12% em agosto). Esta categoria considera as pessoas com renda domiciliar menor que R$ 1.726,01 (a preços de janeiro de 2022).
Apenas uma entre as seis faixas de renda não registraram deflação no mês passado: o grupo com renda alta (maior que R$ 17.260,14). No caso dessas famílias, a inflação foi de 0,08% em setembro, após recuar 0,51% em agosto.
A maior deflação de setembro ficou para as famílias de renda média (entre R$ 4.315,04 e R$ 8.630,07), de -0,35% (houve queda de 0,44% em agosto).
A taxa ficou próxima à registrada para as famílias de renda média-baixa (entre R$ 2.589,02 e R$ 4.315,04), com queda de 0,34% em setembro, ante recuo de 0,40% em agosto.
No caso das famílias de renda baixa (entre R$ 1.726,01 e R$ 2.589,02), a variação foi de -0,31% no mês passado (em agosto houve recuo de 0,24%). No caso das famílias de renda média alta (entre R$ 8.630,07 e R$ 17.260,14), a queda foi de 0,25% em setembro, ante recuo de 0,47% no mês anterior.
De acordo com o Ipea, a deflação dos grupos transportes, comunicação e alimentos e bebidas foi a principal razão para o alívio da inflação em todas as classes de renda em setembro. Dentro de transportes, o maior impacto vem das quedas de 8,3% no preço da gasolina e de 12,4% no do etanol.
No caso das famílias de renda mais alta, no entanto, esse benefício dos combustíveis foi anulado pela alta de preços de passagens aéreas (8,2%) e do transporte por aplicativo (6,1%), segundo o estudo do Ipea. Isso porque o peso desses itens na cesta de consumo é maior do que nas demais faixas de renda.
Para a economista Maria Andreia Parente Lameiras, que assina o estudo, as altas observadas nos grupos habitação, saúde e cuidados pessoais e despesas pessoais impediram um recuo ainda mais significativo da inflação em setembro.
Entre as classes de renda mais baixa, houve impacto de reajustes dos aluguéis (0,67%), gás de botijão (0,92%) e energia elétrica (0,78%). Já entre as classes de renda mais alta houve pressão de aumento dos planos de saúde (1,1%) e dos serviços de recreação – hospedagem (2,9%) e pacote turístico (2,3%).
Quando se considera o resultado acumulado em 12 meses, as famílias mais pobres e as mais ricas são as mais penalizadas com a inflação. A alta de preços para as famílias muito baixa é de 7,62% nos 12 meses até setembro, enquanto a taxa para as famílias de renda alta ficou em 8,01%, mostra o estudo do Ipea.
No grupo de renda baixa, essa alta é de 7,24%. Nas famílias de renda média-baixa, a inflação acumulada em 12 meses é de 6,90%, enquanto nas de renda média essa taxa é de 6,99%. A inflação acumulada para as famílias de renda média-alta chega a 6,87% em 12 meses.
Fonte: Valor Econômico


