Por Tom Hancock — Bloomberg
13/03/2023 05h01 · Atualizado há 5 horas
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Os gastos dos consumidores aumentaram rapidamente na China nas últimas semanas, especialmente com alimentação e viagens, dando um impulso a uma recuperação econômica que vem se tornando cada vez mais sustentada pela demanda local.
Indicadores de gastos de alta frequência em alguns setores mostraram um crescimento de dois dígitos em relação a um ano atrás, enquanto as principais empresas de viagens e varejistas informaram um forte crescimento das vendas no ano até agora.
Os consumidores estão no foco após o governo chinês sugerir, na semana passada, que vai evitar grandes estímulos econômicos via investimentos em infraestrutura ou imobiliários – deixando para os gastos das famílias a tarefa de conduzir a demanda na segunda maior economia do mundo.
Uma recuperação do consumo também ajudará a compensar a queda nas exportações à medida que o crescimento em alguns dos mercados mais importantes da China, como EUA e Europa, enfraquece. Após três anos de uma política dura de contenção da covid-19, economistas apostam agora que os consumidores ajudarão a levar o crescimento da China para mais de 5% neste ano.
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Dados de alta frequência confirmam relatos de restaurantes cheios em cidades como Pequim. Uma média móvel de 30 dias da receita de restaurantes nas grandes cidades, monitorado pela BigOne, provadora de dados na China, registrou um crescimento anual de 24% no começo de fevereiro.
Indicadores de mobilidade – como viagens rodoviárias e de metrô – que tendem a rastrear os gastos do consumidor, também registraram um forte crescimento nas últimas semanas. Um índice de congestionamento de tráfego nas 15 maiores cidades chinesas, compilado pela BloombergNEF, alcançou em fevereiro sua maior leitura em mais de um ano.
Mas os investidores continuam cautelosos com as perspectivas do país, preocupados com a falta de estímulos econômicos pelo governo, conforme ficou claro na reunião anual do Congresso Nacional do Povo (o Legislativo chinês), que se encerrou ontem. Na sexta-feira, o índice MSCI China havia perdido todo o ganho acumulado no ano, chegando a cair 2,2%.
Pequim se absteve da distribuição direta de dinheiro aos consumidores vista em outros países, apostando que uma recuperação do emprego no país levará as famílias a gastar mais.
A varejista on-line JD.com, cujas ações caíram na semana passada em razão da receita fraca do último trimestre de 2022, alertou para uma recuperação gradual da confiança. Enquanto o consumo relacionado ao contato social, como restaurantes e o turismo, se recupera rapidamente, a contratação por pequenas e médias empresas “levará algum tempo” para transitar para uma plena recuperação da confiança do consumidor, disse Xu Lei, presidente-executivo da companhia na semana passada.
Os chineses parecem cada vez mais dispostos a tomar empréstimos para consumir, com os empréstimos de curto prazo para as famílias aumentando 121,8 bilhões de yuans (US$ 17,6 bilhões) em fevereiro, segundo o banco central da China. Foi o maior aumento mensal desde setembro.
Depois de cair todos os meses no último trimestre do ano passado, as vendas no varejo nos dois primeiros meses do ano – a serem divulgada em 15 de março – provavelmente mostrarão um aumento de 3,5% sobre o mesmo período de 2022, segundo economistas consultados pela Bloomberg.
Esses dados provavelmente não refletem a força recente dos gastos dos consumidores, uma vez que eles incorporam dados de janeiro, quando a China foi atingida por um surto de covid-19, ao que se seguiu à decisão do governo de deixar a sua política de covid-zero.
Um indicador da confiança do consumidor chinês, compilado pela consultoria americana Morning Consult, atingiu em fevereiro o maior nível em nove meses. “Fevereiro deverá ser melhor que janeiro”, especialmente em setores como venda de automóveis, diz Larry Hu, chefe do Macquarie Group para a economia chinesa.
As vendas de automóveis na China, componente importante das vendas no varejo, cresceram 10,4% ao ano em fevereiro, segundo informou a Associação dos Fabricantes de Veículos de Passageiros da China na semana passada. O mercado automobilístico deverá ter um “período de crescimento constante”, disse o secretário-geral da associação, Cui Dongshu.
As viagens dentro da China têm sido retomadas rapidamente, com o número de voos domésticos em fevereiro aumentando 17,2% em relação ao mesmo mês de 2022, segundo a VariFlight Technology.
As viagens de curta distância já atingiram quase o dobro dos níveis registrados antes da pandemia, segundo disse a investidores na semana passada Jane Sun, presidente-executiva da agência de viagens on-line Trip.com.
Algumas redes já estão informando vendas melhores. A varejista chinesa de produtos de baixo custo Miniso Group Holding disse em 28 de fevereiro que as vendas em suas lojas físicas aumentaram 20% ao ano neste trimestre.
Os consumidores estão voltando aos cinemas, com o valor das vendas de ingressos nas primeiras nove semanas do ano aumentando 11,8% ante igual período de 2022, chegando a mais de 14 bilhões de yuans (US$ 2 bilhões), segundo os dados mais recentes da Maoyan Entertainment.
Embora a inflação anual dos preços ao consumidor tenha recuado ao menor nível em um ano em fevereiro (1%), isso não significa que a recuperação do consumo foi fraca, escreveram em uma nota economistas liderados por Yu Xiangrong. “O aumento dos preços dos alugueis e dados sólidos de mobilidade interna parecem sugerir que uma recuperação está em andamento.”
Fonte: Valor Econômico


