Joyner, que atuava como presidente da CVS Caremark, a unidade de benefícios farmacêuticos da empresa, e como vice-presidente executivo da CVS, assumirá oficialmente o cargo na sexta-feira
A CVS Health anunciou a nomeação do veterano executivo David Joyner como seu novo diretor-presidente, sucedendo Karen Lynch na liderança da gigante americana de saúde, que vem enfrentando dificuldades.
Joyner, que atuava como presidente da CVS Caremark, a unidade de benefícios farmacêuticos da empresa, e como vice-presidente executivo da CVS, assumirá oficialmente o cargo na sexta-feira. Roger Farah, presidente do conselho de administração da CVS, também se tornará presidente executivo.
A mudança ocorre após a CVS ter revisado para baixo suas previsões financeiras repetidas vezes ao longo do ano, levando a uma queda de 19% no valor das ações, pressões por mudanças de um grande fundo de investimentos e uma revisão estratégica que inclui a possibilidade de dividir a empresa.
A CVS prevê agora que os resultados do terceiro trimestre ficarão abaixo das expectativas de Wall Street e deve abandonar sua previsão de lucro anual para 2024, divulgada em agosto. Essa seria a quarta revisão desde o seu último dia do investidor, em dezembro de 2023.
Joyner e Farah, em entrevista ao “The Wall Street Journal”, afirmaram que a CVS continuará como uma empresa integrada. “Acreditamos que temos um papel importante na simplificação e melhoria da experiência de saúde nos EUA”, disse Joyner. Segundo ele, os ativos da CVS permitem “cumprir as promessas feitas, e agora a questão é executar”.
Joyner terá desafios consideráveis. Além de revitalizar o negócio de seguros de saúde da Aetna, ele precisará lidar com a fiscalização da Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) sobre gigantes dos benefícios farmacêuticos, incluindo a Caremark. A empresa também enfrenta dificuldades persistentes no varejo farmacêutico.
Conhecida por suas farmácias, a CVS é uma das maiores empresas de saúde dos EUA, com receita de aproximadamente US$ 358 bilhões no ano passado. Além de distribuir medicamentos em suas lojas, oferece seguros de saúde via Aetna, atendimento em clínicas da Oak Street focadas em idosos, e gerencia benefícios farmacêuticos por meio da Caremark.
Apesar da promessa de integrar essas operações para melhorar a experiência dos pacientes e reduzir custos, a empresa não atingiu todas as metas. A aposta recente no seguro de saúde Medicare foi especialmente problemática, com a Aetna aumentando a participação nos planos ao mesmo tempo que os custos médicos subiram e o governo alterou regras de faturamento no setor.
Esses desafios da Aetna têm sido centrais para as dificuldades financeiras da CVS este ano, incluindo os problemas esperados para o terceiro trimestre, e outras seguradoras também relataram dificuldades semelhantes.
Joyner disse que se concentrará na melhoria do desempenho da Aetna e destacou avanços recentes na sinistralidade do Medicare da seguradora, além de novos modelos de pagamento que a CVS está implementando para o varejo e benefícios farmacêuticos.
“O desempenho geral da empresa é decepcionante”, disse Farah. “Conforme o ano foi avançando e tivemos dificuldades em cumprir nossos compromissos de um e três anos, chegamos à conclusão de que era hora de mudar.”
Joyner trabalhou na CVS ou em suas predecessoras por quase toda a carreira, incluindo uma passagem inicial pela Aetna e depois pela Caremark, antes da aquisição pela CVS em 2007. Após a fusão, Joyner liderou a integração das operações, experiência que ele disse ser essencial para unir as unidades atuais da CVS. Ele se aposentou em 2019 e retornou no ano passado para liderar a Caremark.
Farah afirmou que a escolha de Joyner se deu, em parte, por sua familiaridade com a empresa, o que permitirá impacto imediato. “Seria muito difícil para um executivo externo dominar todas as áreas”, disse ele.
O conselho votou por unanimidade a favor da mudança de gestão, embora tenha sido uma decisão difícil, acrescentou Farah.
Lynch é uma executiva experiente no setor de saúde e liderou a Aetna antes de se tornar diretora-presidente da CVS em 2021. Sob sua liderança, a empresa gastou US$ 10,6 bilhões na aquisição das clínicas Oak Street e mais US$ 8 bilhões na compra da Signify Health, que se concentra em visitas domiciliares e Medicare.
A CVS agora espera divulgar seus resultados do terceiro trimestre em 6 de novembro, com ganhos ajustados previstos entre US$ 1,05 e US$ 1,10 por ação, abaixo das expectativas dos analistas, que previam US$ 1,69 por ação, de acordo com a FactSet.
Os resultados não ajustados incluirão encargos relacionados ao fechamento de lojas e medidas de corte de custos, além de provisões para reservas de deficiência de prêmios. A empresa também mostrará que os custos médicos continuam acima do esperado, elevando a relação de sinistralidade da Aetna para cerca de 95,2%, acima da expectativa dos analistas de 91,1%.
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