O estresse que tem ditado os rumos do mercado financeiro nos últimos dias teve continuidade na sessão de ontem, em uma escalada de piora nos preços dos ativos que não tem dado sinal de trégua. O Banco Central (BC) ficou ausente do mercado e não fez novas intervenções no câmbio, mas, no fim do dia, anunciou leilão de US$ 3 bilhões no mercado à vista para hoje.
Sem uma ação da autoridade monetária, o dólar disparou e fechou em alta de 2,82%, negociado a R$ 6,2672, bem próximo da máxima do dia. A piora, porém, não ficou circunscrita ao câmbio: o Ibovespa voltou à casa dos 120 mil pontos e as taxas futuras de juros dispararam e chegaram a tocar 16%, mesmo após o Tesouro Nacional ter feito o primeiro leilão de recompra de títulos públicos desde 2020, em uma operação vista como fraca por agentes de mercado.
Mesmo diante da atuação tímida do Tesouro, a redução do colchão de liquidez dificulta um alívio sustentado dos prêmios de risco, observa o gestor de renda fixa Denis Ferrari, da Kinea Investimentos. Para ele, “é um erro o Banco Central não aceitar a teoria de dominância fiscal”.
Se no mercado local a situação já se desenhava bastante avessa a risco, o exterior contribuiu adicionalmente após o Federal Reserve (Fed, banco central americano) indicar menos cortes nos juros nos EUA no próximo ano, o que provocou forte deterioração em Nova York.
Fonte: Valor Econômico