O mercado de crédito privado registrou novo recorde de emissões em 2025, com empresas captando R$ 730 bilhões, volume 3% superior aos R$ 712 bilhões registrados no ano anterior. Os destaques ficaram com os títulos isentos, como as debêntures incentivadas, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), que somaram R$ 273 bilhões no ano, alta de 10% na comparação anual.
O avanço teve como principal motor as debêntures incentivadas, que somaram R$ 178 bilhões em emissões, alta de 32% em relação ao ano anterior. O volume elevado levou, pela primeira vez, o estoque desses títulos a ultrapassar o saldo de crédito concedido pelo BNDES.
Os números fazem parte de um estudo feito pelos analistas Thomas Tenyi, Renan Tiburcio e Fernando Soares, do BTG Pactual, e mostram que o mercado também cresceu de tamanho. O estoque (volume total de crédito privado em circulação) beirou os R$ 2 trilhões no fim de 2025, avanço de 19% em relação ao ano anterior.
Desse montante, mais da metade está concentrada nos títulos isentos, impulsionados principalmente pelo crescimento das debêntures incentivadas.
Ao mesmo tempo, houve uma forte entrada de recursos nos fundos que investem nesses títulos. Os fundos de crédito incentivado captaram R$ 97 bilhões em 2025, levemente acima do recorde do ano anterior, de R$ 94 bilhões. Com isso, o patrimônio da indústria chegou a R$ 287 bilhões, quase o dobro do observado um ano antes, segundo o BTG.
Excesso de demanda derruba retornos
A forte entrada de recursos nos fundos de crédito e a maior demanda de investidores por esses papéis pressionaram para baixo o retorno médio dos títulos.
Na prática, isso significa que as empresas estão conseguindo captar dinheiro pagando juros menores, já que há mais investidores disputando os mesmos títulos.
Os dados do BTG mostram esse movimento, com o crédito incentivado atrelado à inflação, medido pelo índice IDA-IPCA Infraestrutura, pagando, em média, cerca de IPCA + 7,71% ao ano em 2025, nível muito próximo ao dos títulos públicos indexados à inflação.
Em alguns momentos do ano passado, comentam os analistas, o retorno chegou a ficar abaixo do título público equivalente, o que mostra o tamanho da procura por esse tipo de ativo.
No crédito privado atrelado ao CDI, medido pelo índice IDA-DI, os títulos fecharam o ano pagando cerca de CDI + 1,28% ao ano, depois da queda acumulada ao longo de 2025. Em determinados momentos, esse adicional chegou a cair para perto de CDI + 1,12%, um dos níveis mais baixos já registrados para esse tipo de papel.
Segundo os analistas do BTG, essa pressão sobre a rentabilidade oferecida pelos títulos muito provavelmente deve continuar em 2026.
A estimativa é que os fundos ainda invistam algo próximo de R$ 36 bilhões adicionais em debêntures incentivadas até o fim de 2026, o que tende a manter a disputa por papéis elevada e, consequentemente, os retornos comprimidos.
Fonte: Valor Investe