Na corrida por debêntures de infraestrutura, que possuem benefício fiscal, antes de uma eventual taxação — caso a MP 1.303/25 seja, de fato, aprovada —, o mercado secundário de crédito está tão aquecido que os spreads destes títulos em relação às NTN-Bs se aprofundaram no campo negativo. Em outras palavras: a taxa desses papéis já está abaixo dos juros pagos pelo Tesouro em títulos atrelados à inflação.
Na semana passada, o índice que mede o spread médio das debêntures de infraestrutura sobre a NTN-B recuou mais 5 pontos-base e passou a indicar uma diferença de -22 pontos-base (-0,22 ponto percentual). “Cada vez mais papéis estão operando em campo de spread negativo”, diz o gestor de crédito Victor Ary, da Novus Capital.
Como mostrou o Valor, há pouco lastro de novas emissões, mas muito dinheiro precisando ser alocado. Isso força os gestores a disputar papéis no secundário, elevando preços e comprimindo os yields até abaixo da curva de NTN-B.
“O fluxo continua mandando nos movimentos”, enfatiza Ary no podcast semanal. “À medida que os fundos continuam captando, precisam continuar comprando para manter o nível de enquadramento — e isso vem gerando esses níveis negativos de spread quando a gente olha as debêntures incentivadas.”
Fonte: Valor Econômico


