Os controles de exportação da China sobre minerais de terras raras ameaçam interromper a produção de fabricantes europeus em poucos dias, alertou a Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China nesta quarta-feira (28).
A China impôs restrições à exportação de sete elementos de terras raras e ímãs usados em uma ampla gama de produtos industriais, incluindo veículos elétricos e armas, no início de abril, logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar tarifas “recíprocas”.
“Temos uma situação difícil agora na Europa”, disse Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da UE na China, aos membros e repórteres em Pequim, acrescentando que algumas empresas estão prestes a ficar sem materiais para produção esta semana.
“Isso é algo que precisa ser resolvido muito, muito em breve”, disse Eskelund. A incapacidade de encontrar uma solução resultará em um “custo muito significativo para os fabricantes europeus”, afirmou.
Pequim pausou algumas medidas não tarifárias desde que os EUA e a China concordaram, no início deste mês, em suspender a maioria das tarifas adicionais impostas mutuamente. No entanto, os requisitos de licenciamento para terras raras permanecem em vigor. Eskelund afirmou que parece haver um “atraso significativo” no processamento dos pedidos.
O alerta surge no momento em que autoridades comerciais chinesas e da UE se reunirão em Paris no início de junho, segundo relatos da mídia. Líderes europeus também devem viajar a Pequim para uma cúpula em julho.
Adam Dunnett, secretário-geral da Câmara, disse que a questão do controle de exportação foi levantada durante uma conversa entre empresas de semicondutores da UE e da China. Autoridades do Ministério do Comércio da China presentes na reunião explicaram que estão trabalhando arduamente para atender à crescente demanda por pedidos, de acordo com Dunnett.
Dunnett lamentou que o anúncio das medidas de controle de exportação sem permitir um período de transição suficiente não deixou margem de manobra para as empresas planejarem e “evitar o tipo de crise potencial” que agora se desenrola na produção europeia.
A China afirma que “pretende fornecer um ambiente político justo, estável, transparente e previsível para as empresas”, de acordo com uma declaração do Ministério do Comércio após a reunião ocorrida na última terça-feira.
O pânico em relação aos controles de exportação destaca os efeitos colaterais da guerra comercial, em um momento em que as empresas europeias já estão cada vez mais pessimistas sobre as perspectivas de crescimento econômico da China.
De acordo com a última pesquisa anual dos membros da câmara, realizada em janeiro e fevereiro, um recorde de 73% dos entrevistados disseram que fazer negócios na China se tornou mais difícil em 2024. Além disso, 71% citaram a desaceleração econômica do país como um desafio que provavelmente impactará suas operações futuras.
“O problema subjacente para as empresas europeias é que, durante um ano e meio, vimos a produção industrial ultrapassar o que o mercado interno é capaz de absorver”, disse Eskelund.
A pesquisa também destacou que um recorde de 63% dos entrevistados perderam oportunidades de negócios no ano passado devido a barreiras regulatórias ou de acesso ao mercado. O resultado variou amplamente por setor, de 100% no setor de dispositivos médicos a 39% no setor automotivo.
Fonte: Valor Econômico


