Por Bloomberg
25/05/2023 05h02 Atualizado há 4 horas
O presidente da China, Xi Jinping, convocou a Rússia para ajudar reforçar os laços dos dois países com grupos multilaterais. A medida ocorre num momento em que ambas as nações tentam fazer frente à ordem mundial encabeçada pelos EUA, na qual ficaram cada vez mais isoladas.
“A China está disposta a trabalhar ao lado da Rússia para [ambas] continuarem a prestar firme apoio mútuo em questões de interesses essenciais, e fortalecerem a cooperação em esferas multilaterais”, disse Xi ao premiê russo, Mikhail Mishustin, ontem em Pequim, segundo informações da emissora China Central Television.
O líder chinês citou a ONU, a Shanghai Cooperation Organization, centrada em segurança, o Brics, o bloco de mercados emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, bem como o G-20 (grupo das principais economias do mundo) como instâncias mas quais Pequim e Moscou podem melhor colaborar, segundo a reportagem.
O premiê russo corroborou os sentimentos de Xi, ao dizer: “A Rússia está disposta a trabalhar ao lado da China para promover o processo de multipolarização e consolidar a ordem global internacional baseada na lei”.
Está se formando um mundo multipolar que abrange facções rivais divididas, em grande medida, de acordo com suas atitudes para com a guerra movida pelo Kremlin contra a Ucrânia e as reivindicações territoriais de Pequim sobre Taiwan, além de práticas econômicas controvertidas. Essas divisões ficaram evidentes no último fim de semana em uma reunião de cúpula do G-7 (grupo das maiores economias ricas) no qual os líderes foram duros com a China e a Rússia no comunicado conjunto.
Xi tenta reorientar os assuntos globais de modo a se distanciar dos fóruns ocidentais, a fim de criar um mundo em que a China possa expandir seus interesses sem temer a ameaça das pressões econômicas ou militares dos EUA. No começo do mês, ele foi o anfitrião da Cúpula China-Ásia Central, encontro de líderes de cinco antigos países do bloco soviético, enquanto o G-7 se desenrolava no Japão.
A visita inaugural de Mishustin à China como premiê ocorre num momento em que Xi mandou um enviado especial à Ucrânia e a vários países europeus. As viagens simultâneas simbolizam o quanto Pequim tenta, ao mesmo tempo, retratar Xi como pacificador global, ao mesmo tempo em que equilibra os laços com Moscou, que atraíram críticas do Ocidente.
Horas antes, Mishustin, sob sanções dos EUA e de muitos de seus aliados, disse ao premiê chinês, Li Qiang, que as relações entre Rússia e China se encontram em “um nível elevado, sem precedentes”.
A Rússia enfrenta problemas econômicos decorrentes das sanções ocidentais pela guerra na Ucrânia. A China evitou se alinhar ao Ocidente e o comércio bilateral com a Rússia disparou. As exportações chinesas para a Rússia alcançaram um recorde em abril, ao saltarem 153% na comparação anual, para US$ 9,6 bilhões.
Fonte: Valor Econômico


