Por Alessandra Saraiva — Do Rio
30/09/2022 05h01 Atualizado há 4 horas
Dois indicadores da Fundação Getulio Vargas mostram bom cenário para comércio e serviços no curto prazo; mas incertezas em horizonte de longo prazo. A avaliação é do economista da fundação Rodolpho Tobler, ao comentar os resultados de setembro do Índice de Confiança de Comércio (Icom), e do Índice de Confiança de Serviços (ICS), divulgados ontem.
O Icom subiu 2,4 pontos ante agosto, para 101,8 pontos, melhor pontuação desde janeiro de 2019 (102,3 pontos) e primeira vez acima de 100 pontos (quadrante favorável) desde agosto de 2021 (100,9 pontos). O ICS, por sua vez, subiu 1 ponto, para 101, 7 pontos, maior pontuação desde março de 2013 (102 pontos). Embora tenha classificado os resultados como positivos, o técnico fez ressalva. A continuidade do bom humor do empresário dos dois setores, em período mais alongado, dependerá da trajetória futura do quadro macroeconômico, que sinaliza incertezas, principalmente para 2023.
No caso de comércio, Tobler chamou atenção para o fato de que, no período, a boa performance do indicador foi puxada por esperança de dias melhores no futuro. Isso é perceptível nos dois subindicadores componentes do Icom. O Índice de Situação Atual (ISA) subiu 1,5 ponto em setembro ante agosto, para 105,7 pontos. Mas o Índice de Expectativas (IE) subiu mais, com avanço de 3,4 pontos, para 97,9 pontos. Ele citou recentes dados positivos de emprego, que contribuem para elevar renda originada do trabalho e, com isso, o poder de consumo, com impacto nas vendas do comércio. Ao mesmo tempo, a continuidade de pagamento de Auxílio Brasil, programa de transferência de renda, e recente recuo na inflação, abrem mais espaço no orçamento do consumidor.
“A grande questão, para mim é que isso é curto prazo”, acrescentou o técnico. “A sustentação disso em alta [confiança] não deve ser tão fácil assim”, afirmou.
A mesma observação, acrescentou ele serve também para serviços, cuja satisfação com momento presente que mais contribuiu para a alta do indicador, no mês. Na evolução dos dois subindicadores componentes do ICS, o Índice de Situação Atual (ISA) subiu 1,7 ponto para 101,8 pontos em setembro ante agosto, e o Índice de Expectativas avançou 0,4 ponto, para 101,7 pontos, no mesmo período.
“A pandemia está cada vez mais controlada”, lembrou ele, ao falar sobre o aumento mais forte no ISA. Com vacinação mais abrangente e melhora no quadro sanitário, isso acabou por deixar o cenário sanitário mais favorável, e os consumidores, mais propensos a realizarem atividades presenciais, e a consumir serviços.
Ao ser questionado sobre continuidade em longo prazo do atual bom humor do empresário de serviços, maior empregador da economia, o especialista foi cauteloso. Ele comentou que os sinais até o momento, são de que próximo ano contará com economia em ritmo mais lento. Isso afeta não somente serviços, mas comércio também, notou. Com ambiente de juros altos, uma das estratégias para conter inflação, isso inibe maior atividade – e tudo indica que os juros vão continuar elevados ano que vem, notou ele. O técnico comentou que há espaço para mais retomada, em serviços, mas não com mesma força que se verificou nos segundo e terceiros trimestres desse ano.
Ao mesmo tempo, com eleições esse ano, lembrou ele, haverá governo reeleito ou novo governo. Isso dá pouca visibilidade em termos de condução de política econômica futura. “Creio que 2023 tende a ser ano desafiador para a economia, principalmente no início”, afirmou.
Fonte: Valor Econômico