O comércio mundial continuou a se expandir neste fim deste ano em volume e vai mesmo bater recorde em valor. Para 2025, a situação será mais complicada, em meio a riscos de guerras comerciais que podem ser mais graves.
Basta ver o Barômetro de Comércio de Mercadorias, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que visa dar informações em tempo real sobre a trajetória das exportações e importações, completando estatísticas e projeções da própria OMC e de outras organizações.
Pelo mecanismo, um resultado maior que 100 aponta crescimento do comércio acima da tendência de médio prazo e abaixo de 100 mostra tendência de contração das exportações e importações.
O resultado divulgado hoje mostra o valor atual de 102,7 para o índice do barômetro, sugerindo que o comércio continuará a se expandir em ritmo moderado proximamente. Mas a OMC logo alerta que a perspectiva ‘é obscurecida pela crescente incerteza econômica, incluindo possíveis mudanças na política comercial’.
Todos os índices que compõem o barômetro permaneceram dentro ou acima da tendência (100), exceto o índice de componentes eletrônicos (95,4), que se estabilizou abaixo do percentual de base.
Os índices que representam os pedidos de exportação (100,5) indicam um crescimento estável do comércio no curto prazo. O de matérias-primas (também 100,5) está na tendência. Já os índices que representam frete aéreo (102,9), produtos automotivos (104,0) e transporte de containers (105,8) estão firmemente acima da tendência.
O índice de transporte de containers mostrou a maior melhora nos últimos três meses, enquanto aquele de frete aéreo perdeu força.
Por sua vez, a Agencia das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) calcula que o comércio mundial deverá alcançar US$ 33 trilhões neste ano, um valor recorde. Significa um aumento de US$ 1 trilhão (R$ 6 trilhões) comparado ao ano passado.
O crescimento global do comércio em valor é de 3,3% em 2024. Isso ocorre principalmente pelo avanço de 7% no comércio de serviços. Já as exportações e importações de mercadorias avançaram bem mais lentamente, com alta de 2%.
Os países desenvolvidos superaram os países em desenvolvimento em termos de crescimento do comércio exterior no terceiro trimestre.
A desaceleração do crescimento na China refletiu-se na queda dos preços das commodities. O impacto foi mais forte em segmentos como o de commodities agrícolas e metais básicos, em que a demanda da China é particularmente grande.
No ano, as exportações mundiais do agronegócio caíram 1%, de metais 3%, de minerais 1%. Os embarques de tecnologia da informação e têxteis tiveram a maior expansão, de 13% e 14% respectivamente.
Para vários analistas, a tendência de preços de commodities é ligeiramente baixista em 2025.
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O ano de 2025 está logo ali, e a incerteza pesa diante dos riscos de guerras comerciais e desafios geopolíticos. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que economia mundial continuará a mostrar resiliência nos próximos dois anos, mas aponta ‘riscos cada vez maiores’ vinculados ao aumento de tensões comerciais e a ‘nova tendência para o protecionismo’.
Essa situação poderá ‘perturbar as cadeias de abastecimento, aumentar os preços ao consumidor e ter um impacto negativo no crescimento’.
Também uma escalada das tensões geopolíticas e dos conflitos poderá criar perturbações no comércio e nos mercados energéticos, induzindo um eventual aumento dos preços da energia.
Fonte: Valor Econômico