Por Anaïs Fernandes — De São Paulo
11/05/2022 05h01 Atualizado há 6 horas
Os setores varejistas e de serviços brasileiros começaram o segundo trimestre em crescimento, apontam os índices Getnet (IGet), sugerindo que a primeira metade do ano deve ser positiva para o consumo das famílias. Os indicadores IGet, desenvolvidos pelo Santander com a GetNet, acompanham mensalmente as receitas de uma amostra de estabelecimentos que utilizam, recorrentemente, a maquininha da marca como meio de pagamento.
O IGet do varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, avançou 0,5% em abril, vindo de 2,7% em março, na séria com ajuste sazonal. Já o IGet restrito cresceu 1,9%, após forte queda de 4,8% em março, de acordo com relatório de Lucas Maynard e Rodolfo Pavan.
“Vimos o dado da PMC [Pesquisa Mensal de Comércio] um pouco mais forte em março, fechando bem o primeiro trimestre. Agora, o IGet chega apontando um começo favorável para o segundo trimestre. Parece caminhar para um primeiro semestre favorável”, afirma Maynard, economista do banco. Na PMC, divulgada ontem pelo IBGE, o varejo ampliado, que conta para cálculos de PIB, subiu 2,3% no primeiro trimestre de 2022, em relação aos três meses imediatamente anteriores, feitos os ajustes.
Quatro atividades varejistas mostraram crescimento na margem em abril: combustíveis (3,4%), supermercados (2,6%) e partes e peças automotivas (2,2%). “Bens mais sensíveis a renda e mais essenciais têm performado melhor”, diz Maynard, lembrando de medidas como a liberação do FGTS e a antecipação do 13º dos aposentados.
Registraram queda em abril vestuário (-2%) e material de construção (-3,2%), enquanto outros artigos de uso pessoal (-0,1%) e móveis e eletrodomésticos (+0,7%) ficaram próximos da estabilidade, na avaliação do Santander.
A desaceleração do varejo ampliado em abril, ante março, já era esperada, segundo Maynard. “Teve aceleração a uma taxa de crescimento acentuada no primeiro trimestre porque saiu de um nível muito baixo no fim do ano. Não esperamos que esse ritmo se mantenha, uma desaceleração é normal, mas começa o segundo trimestre ganhando pulso e corrobora o cenário de consumo das famílias melhor no primeiro semestre”, afirma ele.
O IGet de serviços, por sua vez, focado nas prestações às famílias, subiu 4,1% em abril, após avanço de 1,5% em março. Foi a terceira alta consecutiva e reforça a superação das perdas observadas em janeiro, segundo o Santander. O resultado de abril decorre, principalmente, do subsegmento de alojamento e alimentação (4,3%), mas o de outros serviços também contribuiu positivamente (3,6%).
Os números estão em linha com a redução dos casos da variante ômicron e com os ganhos de mobilidade subsequentes, escrevem Maynard e Pavan. Eles observam, no entanto, que, na comparação com o período pré-pandemia, o indicador ainda está 22,4% abaixo da média observada em 2019.
“Tivemos resultados mais de lado em janeiro e fevereiro na PMS [Pesquisa Mensal de Serviços]. O que a gente vem observando é que março deve mostrar um número mais favorável, com crescimento sequencial no segundo trimestre”, diz Maynard. Os dados da PMS de abril serão divulgados amanhã.
O Santander projeta crescimento de 0,7% para o PIB em 2022. O viés pode ser de alta, mas Maynard pondera que, no segundo semestre, a política monetária contracionista deve ter efeitos mais claros sobre a demanda agregada. “Tem viés de alta, mas mais na vizinhanças do 1%, até 1,5%. Não enxergamos 2%”, diz o economista.
Fonte: Valor Econômico
