Por Estevão Taiar, Guilherme Pimenta e Jéssica Sant’Ana — De Brasília
16/08/2023 05h03 Atualizado há 7 horas
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou ontem que o aumento do preço dos combustíveis anunciados pela Petrobras terá impacto total de 0,4 ponto percentual sobre a inflação cheia entre agosto e setembro. “Hoje [ontem] teve um aumento grande [de combustíveis], que tem um impacto na inflação de 0,40 [ponto percentual] entre agosto e setembro. É impacto indireto na cadeia no caso do diesel. Mas, da gasolina, é direto no IPCA. A gente vai ver algumas revisões [do IPCA] com o reajuste”, disse em palestra durante almoço com parlamentares da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo (FPE) e representantes do Instituto Unidos Brasil (IUB), em Brasília.
No mesmo evento, Campos disse que, para a trajetória na queda de juros “ser mais longa e estável”, é preciso endereçar a política fiscal. “Abrimos um espaço que foi construído com todos, e entramos numa trajetória de queda [de juros]”, comentou.
Campos citou algumas medidas do lado da arrecadação que foram sugeridas pelo governo federal. Ao falar que ninguém quer aumento de impostos, citou que “precisamos equilibrar as contas”.
Mais cedo, o presidente do BC chegou a dizer que há uma desancoragem nas expectativas, já que o mercado não acredita que o governo conseguirá zerar o déficit nas contas públicas em 2024. A taxa de juros real no Brasil tem caído, segundo avaliou Campos, e também argumentou não ser verdade que só trabalha com juros altos. “Colocamos a taxa de juros em 2% quando entendemos que a pandemia poderia gerar uma depressão.”
Ontem também, durante evento promovido pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon), o diretor de política monetária do BC, Gabriel Galípolo, disse que a ata da última reunião do Copom foi “muito feliz em refletir os sentimentos da diretoria. Segundo Galípolo, as divergências explicitadas na ata são todas técnicas e defensáveis. Galípolo também citou que, apesar das visões diferentes, “há uma convergência das posições sobre o que se fazer daqui para frente”.
Já a diretora de assuntos internacionais e gestão de riscos corporativos do BC, Fernanda Guardado, afirmou que “o ajuste” nos cortes da Selic, em caso de piora de cenário, “pode ser feito no tamanho do orçamento” da política monetária. O orçamento é o tamanho do ciclo de cortes. “À medida que o tempo passa, incertezas se realizam, choques acontecem, e o orçamento pode ser menor do que o esperado”, disse na 3ª Conferência da XP Inc. sobre Política e Economia.
Fonte: Valor Econômico