Companhia ampliou a personalização de portfólios para clientes públicos e privados no Brasil
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2025/w/a/MEzxBZSO6OyZgxKuynUQ/foto30emp-101-pfizer-b4.jpg)
As operações brasileiras da Pfizer dobraram seu faturamento no primeiro semestre deste ano, em ritmo de crescimento acima de outras regiões da companhia e do consolidado da farmacêutica globalmente. A Pfizer não divulga a receita por país, mas, entre janeiro e março deste ano, sua receita somou US$ 13,71 bilhões, queda de 8% em relação ao mesmo período de 2024. Já o lucro líquido caiu 5%, para US$ 2,97 bilhões.
O diretor-presidente da Pfizer Brasil, Alexandre Gibim, afirma que o perfil de participação de cada produto na receita brasileira é “muito semelhante” ao portfólio da companhia em nível global. Dentre os destaques estão os chamados produtos inovadores, como novos medicamentos oncológicos, imunológicos e para tratamento de doenças raras.
O forte crescimento no Brasil, de acordo com o executivo, foi sustentado por uma nova estratégia de vendas, personalizada a partir da relação entre os representantes comerciais e cada cliente da farmacêutica.
“Um plano de saúde na cidade de São Paulo tem necessidades muito distintas de um outro plano nesta mesma cidade. Para algum deles, o portfólio de biossimilares da Pfizer pode ser a estratégia certa por reduzir custos, enquanto outro cliente prioriza a adoção de tecnologias mais novas. Eu, sozinho, não consigo fazer 600, 700 planos personalizados, mas com os representantes no protagonismo, é possível”, afirma ao Valor em sua primeira entrevista no cargo.
A nova estratégia da Pfizer Brasil também inclui reorganização de agendas internas e automação de atividades rotineiras com inteligência artificial.
Há pouco mais de um ano na liderança da Pfizer Brasil, Gibim retornou ao país após sete anos atuando na indústria farmacêutica internacional, incluindo os dois maiores mercados do mundo, Estados Unidos e China. O executivo afirma que, apesar do menor porte, o Brasil é um mercado mais complexo que os líderes globais devido à estrutura do sistema de saúde no país.
“Aqui nós temos um mercado misto, público e privado. O Sistema Público de Saúde (SUS) tem três níveis diferentes [municipal, estadual e federal], com 150 milhões de pessoas atendidas, e consome metade dos recursos. Já o sistema de saúde suplementar está em desenvolvimento e, embora seja formado por 50 milhões de pessoas, consome os recursos restantes”, afirma.
O país também é destaque na área de pesquisas clínicas, segundo Gibim, com crescimento constante nos investimentos da companhia. No ano passado, as pesquisas da Pfizer no país movimentaram US$ 13,3 milhões, alta de 8% em relação ao valor desembolsado em 2023.
Uma das pesquisas conduzidas recentemente no país foi a da vacina Abrysvo, que previne o vírus sincicial respiratório (VSR) em recém-nascidos. O imunizante foi incluído em fevereiro no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a Pfizer participa de um programa de transferência de tecnologia para que o Butantan produza a Abrysvo no futuro.
A fase três dos testes contou com mais de 7 mil gestantes somente no Brasil, com quatro dos 18 centros globais de pesquisa localizados no país.
A vacina é destinada para mulheres entre 24 e 36 semanas de gestação, e os anticorpos produzidos pela mãe são transmitidos ao feto, que já nasce protegido. A Pfizer estima que praticamente todos os bebês terão contato com o VSR, principal causador da bronquiolite, nos primeiros dois anos de vida.
Fonte: Valor Econômico