07/07/2022
O mercado está atento à escalada do endividamento das empresas. Sem opção de buscar dinheiro na Bolsa e no exterior ? fechados devido à alta de juros nos EUA ?, mais companhias têm recorrido à emissão de títulos de dívida, cuja demanda por parte de investidores está superaquecida.
Só que é muito mais fácil gerir um negócio minimamente rentável quando se toma recursos pagando 4% de juros, como acontecia até 2021, do que quando se paga 20% pelo empréstimo. Essa realidade já está presente em empresas que têm ?menos qualidade?, diz o responsável pela área de renda fixa de um grande banco.
O movimento é tão preocupante que instituições têm evitado ou recusado algumas emissões de dívidas, de companhias consideradas mais arriscadas.
Varejo e imobiliário têm mais risco No radar estão o aumento de situações de estresse financeiro ou até atraso de pagamento de dívidas, especialmente no varejo e áreas correlatas, além do segmento de construção e imobiliário. São empresas que vendem a um consumidor com menos poder de compra e que tem pago mais caro por empréstimos.
Demanda por dívida continua aquecida Por outro lado, ?o fluxo de dinheiro para os fundos de renda fixa é enorme, com muitos investidores comprando papéis nos quais esse risco não está bem precificado?, diz. Assim, o risco seria maior para a pessoa física, que está financiando empresas menos sólidas sem saber, e para as gestoras de recursos.
PÁ PUM.
Com essa perspectiva, alguns gestores de renda fixa já mudaram a abordagem na compra de títulos. O sócio da Galápagos Capital, Gilberto Paim, tem procurado adquirir títulos de empresas cujos vencimentos ocorrerão no curto prazo. E comprar no mercado secundário, no qual os preços são melhores, já que a demanda é grande no lançamento dos papéis.
RISCO.
O diretor de renda fixa e produtos estruturados do Itaú BBA, Felipe Wilberg, diz que o mercado está estável em termos de risco, mas que seria mais saudável se houvesse menor concentração nessa frente de captações. A alta demanda, diz, traz muitos novos aplicadores e empresas estreantes e, ao contrário de outros países, o Brasil não cresceu com o fim do período mais crítico da pandemia, e o poder de compra caiu.
REBIMBOCA.
Dominado por empresas familiares, o setor de autopeças atrai a atenção dos fundos de private equity, brasileiros e internacionais. A norteamericana Carlyle e a SPX Capital já sondaram nos últimos meses duas varejistas do setor, uma delas em um potencial negócio de R$ 2 bilhões.
PONTA DE LANÇA.
A Advent, também dos EUA, comprou a Fortbras e passou a usá-la para fazer aquisições no segmento pelo Brasil. A última delas foi a goiana Jaicar, em janeiro.
BOAS MEMÓRIAS.
As varejistas de autopeças movimentam R$ 100 bilhões ao ano no Brasil, em um mercado pulverizado e regionalizado. Entre as maiores do setor, estão a MercadoCar, de São Paulo, com faturamento acima de R$ 1 bilhão, e o Grupo Comolatti. No exterior, fundos de private equity ganharam muito dinheiro nesse setor, diz o diretor de um fundo.
ONDA.
A líder do setor automotivo da KPMG no Brasil, Flávia Spadafora, diz que a valorização recente dos veículos usados tem promovido a expansão do mercado de reposições e atraído investidores ao varejo de autopeças. ?Este mercado está superaquecido e algumas empresas estão surfando essa onda e até mirando o mercado de autopeças para venda para as montadoras?, afirma.
JUNTA AÍ.
Os fundos olham também as fabricantes de autopeças, que tiveram suas fragilidades expostas na pandemia.
Segundo Spadafora, ?muitas ficaram no meio do caminho, e temos visto montadoras incentivando alguns fornecedores a buscarem consolidação?.
PROCURA-SE.
A H.I.G. Capital, baseada em Miami, adquiriu a Tecfil, de Guarulhos, de filtros automotivos. Um outro fundo estrangeiro, assessorado pela FT Aquisições, está em busca de uma fabricante de autopeças no Sul ou no Sudeste, para comprar de 40% a 100% da empresa, com investimento mínimo de R$ 100 milhões.
GOTINHA.
A melhora na criação de vagas possibilitou ligeiro recuo na proporção de brasileiros inadimplentes em junho, a primeira queda desde setembro de 2021, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A proporção de famílias com contas em atraso ficou em 28,5%, redução de 0,2 ponto porcentual ante maio.
Fonte: O Estado de S.Paulo


