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A estiagem prolongada pressionou a inflação setembro, se refletindo em preços mais salgados da energia elétrica e de alimentos. Após o dado, parte dos analistas reviu para cima seus números para 2024, em um movimento que deixa as estimativas perto ou já acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,44% em setembro, após recuo de 0,02% em agosto. O resultado veio ligeiramente abaixo da mediana das projeções colhidas pelo Valor Data, de alta de 0,45% e intervalo entre 0,24% a 0,55%.
No acumulado do ano, o IPCA tem alta de 3,31%. Já em 12 meses, a alta é de 4,42%.
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Pressão concentrada
Mais de 70% da alta de setembro ficou concentradas nos grupos energia elétrica e de alimentos. O primeiro subiu 5,36% em setembro, com influência de 0,21 ponto percentual sobre o IPCA cheio. Já o segundo avançou 0,50%, acrescentando outro 0,11 ponto percentual.
“Os fatores climáticos contribuíram para acelerar preços. Na energia, houve mudança para a bandeira tarifária vermelha 1 por causa da preocupação com o nível dos reservatórios. No caso de carnes e frutas, há a questão do clima seco e da ausência de chuvas” disse o gerente do índice no IBGE, André Almeida.
Somente o grupo carnes saltou de uma alta 0,52% no IPCA de agosto para 2,97% em setembro, uma pressão que deve perdurar nos próximos meses, avaliam economistas.
“O grupo alimentação no domicílio será uma ‘dor de cabeça’ para o IPCA do fim do ano, principalmente devido ao grupo de carnes, que já sobe mais de 6% no atacado e tem um peso relevante no índice geral (2,35%). Até por isso, subimos a nossa projeção para o IPCA no fim do ano de 4,40% para 4,60%, com viés de alta”, afirma o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal.
“Houve uma alta forte, em linha com o movimento visto nos preços de atacado e que ainda não acabou. Em outubro, a alta das carnes deve ser ainda mais forte”, diz Leonardo Costa, economista do ASA.
Ele pondera também que a contribuição da energia também deve ser positiva, já que a bandeira tarifária passa para vermelha 2 em outubro.
Avaliação semelhante tem Alexandre Maluf, da XP Investimentos. “Nossa previsão de 6,1% para o grupo ‘alimentação no domicílio’ tem viés altista, mesmo após nosso recente ajuste – a dinâmica de preços do boi gordo, a renda familiar sólida e as exportações recordes de carne registradas em setembro reforçam essa visão”, afirma o profissional em comentário distribuído.
Após o dado, alguns analistas elevaram suas projeções para o ano. Olhando principalmente os preços afetados pela seca, mas também pressões sobre o preço do petróleo e o câmbio desvalorizado, o BNP Paribas a elevar a projeção para o IPCA em 2024, de 4,4% para 4,7% – acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que tem centro em 3,00% e teto em 4,50%. Já o Barclays elevou de 4,1% para 4,3%.
Em relação à parte qualitativa, o IPCA de setembro “trouxe sinalizações para todos os gostos”, avalia Leal. Na média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada, nota, os serviços subjacentes – grupo acompanhado de perto pelo BC – caíram de 5,41% para 4,59%. Já o dado cheio ficou estável em 4,23%, enquanto a média dos núcleos subiu de 4,33% para 4,69%.
A inflação de serviços é onde os economistas buscam pistas sobre o repasse de um mercado de trabalho aquecido e uma economia rodando acima de seu potencial afetam os preços. Para Maluf, da XP, os dados reforçam o cenário-base de que os serviços subjacentes oscilarão em torno de 5% ao ano nos próximos trimestres, refletindo a atividade econômica firme e as expectativas de inflação desancoradas.
“Por ora, ainda lemos o cenário como o Banco Central, para quem existem riscos de que o mercado de trabalho afete a inflação, mas que os indícios não apareceram nos dados ainda. A composição ainda segue com qualitativo favorável e alguns alívios nos núcleos”, pondera o economista-chefe da Sicredi Asset, Luiz Furlani.
De olho na pressão de energia e alimentos, no entanto, a gestora elevou a projeção para o IPCA no ano para 4,6%.
Para Carlos Thadeu, economista da BGC Liquidez, a leitura mais salgada das carnes deve ofuscar os números positivos da parte qualitativa, como núcleos e inflação de serviços.
“O mercado já havia absorvido a informação de que núcleos e serviços viriam mais baixos com o IPCA-15 de setembro. Já o grupo alimentação veio mais forte que o esperado. Enquanto a queda dos preços de cinema (8,75%) deve ser devolvida nos meses seguintes, a alta das carnes é algo que vai perdurar ”, explica. A corretora vê alta de 4% a 6% das carnes em outubro, em linha com os movimentos já vistos no atacado.
Fonte: Valor Econômico
