Quinze navios por dia. Essa é a movimentação hoje no Estreito de Ormuz, segundo a Citrini Research. A consultoria que movimentou os mercados este ano com um relatório sobre impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho enviou um analista para avaliar, in loco, a situação no Golfo. E chegou a uma conclusão que contradiz a narrativa que vem movimentando mercados de petróleo ao redor do mundo: a de que a passagem está completamente fechada.
O novo relatório da Citrini, ao qual a CNBC teve acesso, descreve uma dinâmica em que o Irã estaria exercendo controle seletivo sobre a passagem de navios. Embarcações precisariam obter autorização prévia para transitar pelas águas próximas ao território iraniano — uma espécie de checkpoint funcional, nos termos usados pela própria firma, e não um bloqueio propriamente dito.
A firma sustenta que os números reais de tráfego superam os registros oficiais porque parte significativa dos navios estaria navegando com os transponders desligados, invisíveis, portanto, às plataformas convencionais de monitoramento. Quatro ou cinco estariam passando por dia pelo Canal de Qeshm completamente fora do radar dos dados públicos, e esse volume teria se acelerado nos dias recentes, segundo o relato colhido em campo.
A firma enviou um analista à Península de Musandam, em Omã, de onde ele se deslocou de barco para observar pessoalmente a movimentação de embarcações na região. O profissional, que não teve a identidade revelada, fez entrevistas com pescadores, contrabandistas e autoridades regionais,
A conclusão da Citrini escapa às narrativas binárias que têm dominado a leitura dos mercados. “Isso deve reforçar que nossa visão sobre o conflito é matizada. Ela não se encaixa perfeitamente em ‘estreito aberto, petróleo cai’ ou ‘estreito fechado, petróleo dispara'”, afirmou a firma em seu post.
A avaliação é de que a situação deve se prolongar e um prêmio de risco permanente deverá se incorporar às cotações do petróleo. Com base nessa tese, a Citrini demonstra preferência por exposição em contratos de prazo mais longo — especificamente o WTI com vencimento em dezembro de 2026 — em detrimento dos contratos do mês corrente.
A projeção da firma é de que, nas próximas quatro a seis semanas, o tráfego no estreito possa se recuperar para até 50% dos níveis anteriores ao conflito, consolidando um novo equilíbrio de mercado marcado pela incerteza estrutural.
Fonte: Exame