Dona do Cimegripe e das vitaminas Lavitan, a farmacêutica nacional está se preparando para potencial IPO ou fusão e aquisição no longo prazo
Por Stella Fontes — De Pouso Alegre (MG)
22/02/2023 05h01 Atualizado há 4 dias
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2023/4/e/EKk7OdR72EQs7uy3FgSQ/foto22emp-101-cimed-b4.jpg)
Karla Marques Felmanas, diz que, após investir R$ 300 milhões em fábrica, farmacêutica pode entrar em novos mercados — Foto: Silvia Zamboni/Valor
A Cimed, terceira maior farmacêutica do país em volume de vendas, começou a avaliar o próximo ciclo de expansão de seus negócios. O grupo, que prevê faturar R$ 3 bilhões em 2023, está concluindo o investimento de R$ 300 milhões na nova fábrica em Pouso Alegre (MG), pode entrar em novos mercados mais adiante e segue pavimentando o caminho para, no longo prazo, estar pronto para explorar oportunidades de fusão e aquisição (M&A) – na ponta compradora, segundo o desejo dos acionistas – ou uma potencial abertura de capital (IPO, na sigla em inglês).
Com a mais recente expansão de capacidade, a Cimed ganha musculatura para seguir avançando no ranking dos maiores laboratórios no país, sempre com foco em “primeiro preço”. A ambição é superar as concorrentes Hypera e grupo NC (dono da EMS) e chegar à primeira posição em volume de vendas no varejo farmacêutico. “Garantir acesso é nosso lema”, diz a empresária e vice-presidente do grupo, Karla Marques Felmanas.
A aposta em acesso se reflete na participação dos genéricos nos negócios da Cimed. Hoje, esse tipo de medicamento, que por força de lei deve ser pelo menos 35% mais barato que o produto de referência, representa 47% do volume de vendas da empresa. No ano passado, a Cimed produziu 460 milhões de unidades (caixas), das quais 80 milhões na nova fábrica – a primeira unidade também está instalada em Pouso Alegre -, uma média de 38 milhões de unidades por mês e o equivalente a 6,4% do volume de medicamentos vendidos no Brasil.
Neste ano, com a conclusão do projeto de expansão e concentração das linhas de sólidos na nova fábrica, a estimativa é alcançar 527 milhões de unidades produzidas.
Da nova unidade, que foi projetada e equipada com o que há de mais moderno para a indústria farmacêutica, conforme Karla, saem 320 diferentes produtos ou apresentações, de um portfólio total que compreende 537 produtos (ou SKUs, no jargão) ativos. Para os próximos meses, estão previstos 95 lançamentos.
Para acelerar a decisão sobre os próximos passos de crescimento, a Cimed acaba de contratar um novo diretor de Operações e Supply Chain, Adriano Alvim de Oliveira, que esteve à frente da implantação de uma das fábricas do concorrente Aché e passou por multinacionais como IBM e WestRock.
Além de colocar em marcha um projeto de digitalização do restante de suas operações, com investimento previsto na ordem de R$ 10 milhões, a farmacêutica vai decidir se concentra toda a produção de medicamentos na nova fábrica, deixando as linhas de alimentos (vitaminas) e higiene e beleza na mais antiga, ou se aproveita área e estrutura disponíveis na nova unidade para entrar em novos mercados, como o de colírios ou de injetáveis.
Se a decisão for por entrar em novos mercados, a estreia não é imediata e tem de obedecer às rigorosas regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Os ciclos são longos na indústria farmacêutica. Então, já começamos a avaliar o que faz mais sentido”, conta Karla.
A nova fábrica fica em um terreno de 120 mil metros, dos quais 44 mil metros quadrados de área fabril. Antes, a área era ocupada por uma fábrica de lona de caminhão, a Locomotiva, que estava desativada. A transferência de equipamentos para a unidade começou em 2021 e foi concluída em dezembro. Agora, a expectativa gira em torno do recebimento de quatro máquinas de embalagem, que estão sendo construídas na Itália e já deveriam ter chegado ao Brasil.
Com mais de 4 mil funcionários, a Cimed está presente em 98% das farmácias brasileiras, atendendo a cerca de 70 mil pontos de venda de forma direta. Para assegurar cobertura nacional, opera com 24 centros distribuição, espalhados por todo o país – o armazém central, de quase 11 mil metros quadrados, fica em Bela Vista (MG), onde também está a gráfica do grupo.
Conhecida como Karla Cimed nas redes sociais – onde acumula centenas de milhares de seguidores -, a empresária compartilha o controle do grupo com o irmão, João Adibe Marques. Enquanto ele se dedica às areas de vendas e marketing, cabe a ela acompanhar o dia a dia das operações.
Fundador da Cimed e pai de Karla e João Adibe, João de Castro Marques faleceu no ano passado, aos 74 anos. Marques, da mesma família dos donos de Biolab e União Química, já havia se afastado dos negócios, deixando que os filhos assumissem a condução do grupo. Desde então, a dona do Cimegripe e das vitaminas Lavitan ganhou participação de mercado e visibilidade. Um dos gols no plano de se tornar mais conhecida pelo consumidor final foi o patrocínio à Seleção Brasileira. Palmeiras e Cruzeiro também são patrocinados pela farmacêutica.
Essa não foi a única grande mudança na Cimed nos últimos anos. Atenta ao potencial de consolidação do setor no país, a empresa vem se preparando para um potencial M&A ou IPO mais à frente. Nesse sentido, além de se converter em S.A., contratou a KPMG como auditora e procura “funcionar” exatamente como uma companhia listada na B3, diz Karla – o balanço financeiro de 2022 será publicado na primeira semana de março.
Fonte: Valor Econômico