Por Dow Jones — Nova York
11/08/2023 17h57 Atualizado há 2 dias
É improvável que a China retalie os EUA depois que Washington aprovou uma restrição a investimentos americanos em empresas de tecnologias chinesas. Isso porque agora Pequim está limitada tanto em sua capacidade quanto em seu desejo de enfrentar os EUA, segundo analistas.
As empresas de tecnologia americanas não dependem tanto dos investimentos chineses quanto o contrário. A China também está enfrentando uma deterioração nas condições macroeconômicas e queda na confiança dos investidores, o que a torna menos inclinada a escalar a disputa econômica, dizem analistas. Na frente política, Pequim também está tentando manter um processo de reaproximação com Washington.
Nesta semana, os EUA emitiram uma ordem executiva proibindo investimentos americanos em empresas chinesas que desenvolvem semicondutores avançados e computadores quânticos e vai começar a exigir que investidores americanos notifiquem Washington sobre alocações em empresas de semicondutores e inteligência artificial.
Na quinta-feira, o Ministério do Comércio da China disse que as novas medidas dos EUA vão contra as regras do mercado e acusou os EUA de afetar as cadeias de suprimentos e o comércio globais. O Ministério das Relações Exteriores da China também criticou as medidas, classificando-as como “coerção econômica flagrante e intimidação tecnológica” por parte dos EUA, e disse que o país vai atuar para proteger seus direitos.
Apesar da retórica, analistas e empresários acreditam que as medidas sobre investimento estrangeiro não são suficientes para alterar os rumos da tensa relação bilateral que ambos os lados buscam melhorar. A China sabe há muito tempo que tais medidas virão, e alguns dizem que as novas regras são menos rígidas e restritas do que muitos temiam – pelo menos na maneira em que foi aprovada.
Em vez disso, é mais provável que Pequim retalie em outros setores, como novas restrições à exportação de materiais-chave sobre os quais a China tem maior controle.
O presidente Joe Biden falou em evento na quinta-feira sobre o enfraquecimento da economia da China. “A China é uma bomba-relógio em muitos setores”, disse Biden, ressaltando a alta porcentagem de desemprego juvenil na China e o envelhecimento da pirâmide etária do país.
Ainda assim, disse ele, os EUA querem um “relacionamento racional” com Pequim. “Não quero prejudicar a China”, disse Biden.
Em julho, a China impôs restrições à exportação de gálio e germânio, dois minerais que os EUA e especialistas disseram que são essenciais para a produção de semicondutores, sistemas de mísseis e placas solares. A ação de Pequim foi vista por especialistas como uma retaliação contra as restrições americanas à exportação de produtos e equipamentos usados nas indústrias de alta tecnologia da China.
“Esperamos que a China retalie com algumas ações de impacto, mas que não devem escalar as tensões”, disse Xiaomeng Lu, chefe do setor de geotecnologia da Eurasia Group. Ela prevê que as autoridades chinesas começarão a fazer análises aprofundadas em casos de fusões e aquisições de empresas do país com companhias americanas ou aumentarão os controles de exportação.
Fonte: Valor Econômico


