Estudo global revela as três principais competências que esses executivos têm em comum
Por Jacilio Saraiva, Para o Valor
14/12/2022 14h00 Atualizado há 21 horas
Diretores financeiros (CFOs) estão mais preparados para assumirem o posto de CEO nas empresas do que líderes de outros departamentos. É o que indica um levantamento da Russell Reynolds Associates, de busca de executivos do alto escalão, obtido com exclusividade pelo Valor.
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A pesquisa, que inclui dados do Brasil, é baseada na análise das carreiras de CEOs que compõem o índice “Standard & Poor 500”, dos Estados Unidos; entrevistas com dirigentes que fizeram transição de cargos e em um estudo de mais de 2,5 mil perfis de gestores financeiros, em todo o mundo.
O trabalho classificou as principais competências de CEOs e CFOs e constatou que eles pontuam igualmente em, pelo menos, três aspectos: definição de estratégias, liderança de equipes, e relacionamento e influência.
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Análise revelou que menos de 20% dos CEOs do índice S&P 500 ocuparam a liderança financeira antes de chegar ao cargo máximo — Foto: Pexels
Quando o tema é obtenção de resultados, os líderes de finanças ainda pontuam acima dos diretores executivos, revelando “um perfil mais equilibrado e assertivo para tomadas de decisão”.
Por outro lado, a análise mostra que os CEOs são mais propensos a assumir riscos e aproveitar oportunidades de negócios do que os CFOs. “No entanto, o pragmatismo e a perspicácia dos gestores financeiros se revelam como fundamentais para identificar inovações que funcionarão melhor nas companhias”, diz o relatório.
“Mesmo assim, os diretores que trabalham com números são considerados pela maioria das organizações como líderes específicos na área deles, sendo muitas vezes negligenciados nos planos de sucessão”, diz Fernando Machado, consultor da Russell Reynolds. Menos de 20% dos CEOs do índice S&P 500 ocuparam a liderança financeira antes de chegar ao cargo máximo, explica.
Diante dos dados levantados, a orientação de Machado para corporações preocupadas com a movimentação do quadro é investir na construção de novas competências para os heads de finanças.
“Pode ser fácil para um CFO ficar isolado na função [por conta do tipo de trabalho]”, destaca. “Diretores financeiros que buscam a cadeira de comando devem se concentrar em arquitetar o futuro, nutrindo relacionamentos com o conselho, acionistas e pares; e estarem prontos para mudar de mentalidade – de líderes exclusivos de finanças para chefes com uma visão mais ampla dos negócios.”
Para realizar uma troca de guarda bem-sucedida, a Russell Reynolds ressalta que as organizações deverão desenvolver ainda outras habilidades nos CFOs, como inteligência emocional, resiliência e capacidade de influenciar os colegas de diretoria.
Os executivos entrevistados pela pesquisa também oferecem um ponto de reflexão importante, segundo Machado. “Por mais que o cargo de CEO seja atrativo, é preciso que o futuro candidato goste de liderar e desenvolver pessoas.”
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Fonte: Valor Econômico