Tecnologias desenvolvidas aceleram atendimento, melhoram exames e aprimoram uso de dados em diagnósticos
Por Martha Funke — Para o Valor, de São Paulo
31/05/2023 05h05 Atualizado há 4 horas
Organizações de ponta reforçam estruturas de inovação. No Hospital Israelita Albert Einstein, o Centro de Inovação Tecnológica abriga escritório de transferência de tecnologia, responsável por propriedade intelectual e licenciamento, e o Instituto de Ciência e Tecnologia, que atua com parceiros. Com a Epson, criou jogo baseado em inteligência artificial e realidade aumentada para tranquilizar crianças em tomografias. As inovações chegaram ao mercado, como a plataforma de análise genômica Varsomics, o sistema de definição de equipes Escala e a Safepill, startup que organiza rotina individual de medicamentos, incorporada pela Drogasil em 2022.
O laboratório Helth Design Lab lançou o programa Fellowship em Biodesign (focado em engenharia biomédica) com a Universidade Stanford. O ecossistema de inovação Eretz.bio, de 2015, abriga 42 startups e a área de parcerias New Technologies Validation Center, que hoje reúne 147 projetos de validação – 53 com empresas internacionais, interessadas no Brasil.
“Biotecnologia é um espaço a ser ocupado”, diz Rodrigo Demarchi, diretor executivo de inovação do Einstein. O tema tem sete incubadas e parcerias, de pesquisas translacionais (da bancada para a beira do leito) a editais. Um deles, com O Boticário, mira variação do olfato de usuárias de anticoncepcionais. Seu fundo de capital de risco investiu em dez startups desde 2021 e, em 2022, surgiu o Lab 5G, para avaliar casos como cirurgia remota e teleconsulta com apoio de internet das coisas (IoT).
No Hospital Sirio-Libanês, o Centro de Inovação criou produtos como a plataforma de relacionamento e telemedicina, hoje responsável por 60% das consultas da unidade de saúde populacional de clientes como Itaú e CBA. Outro é o algoritmo para reduzir impacto de não comparecimento em exames.
Em 2021 surgiu a Alma Sírio-Libanês, com R$ 200 milhões em investimentos até 2030, reunindo de áreas de tecnologia ao ecossistema externo. A incubada Sofya criou IA que transforma voz em texto para registro de dados de pacientes. “O tempo caiu 60% e a interação ficou mais humanizada”, diz Ailton Brandão, diretor de TI e inovação do hospital. A Wedoc traz aplicativo similar a rede social para médicos e estudantes de medicina.
O Instituto de Ensino e Pesquisa gera tecnologias como HSL 500, para identificar origem tumoral. Uma nova parceria com a AWS mira o healthLake, para reunir de informações de prontuários a dados de dispositivos como bombas de insulina. O 5G foi testado em ambulância, com exames em trânsito e preparo de equipe que reduziu de quatro horas para 30 minutos o início de tratamento em infartos.
No Hospital Alemão Oswaldo Cruz a inovação aberta ganhou hub de solução de problemas do sistema de saúde há dois anos, diz a diretora-executiva de educação, pesquisa, inovação e saúde digital, Carolina da Costa. Um dos resultados é Centro de Ciência para Longevidade, em parceria com instituições de pesquisa internacional. Criações como um filtro para uso de adaptador para ventiladores em pacientes com covid-19 foram disseminados externamente.
O InCor inaugurou em 2015 o InovaInCor, com mais de 50 projetos em execução. Com a Intel, criou o Andar Digital, para soluções sem fio, e projeto de anonimização de dados pessoais. Com a Cisco, surgiu plataforma para acompanhamento remoto de cirurgias, testada no Maranhão, diz Biscegli Jatene, coordenador do InovaInCor. “Inovação, telessaúde e saúde digital receberam cerca de R$ 50 milhões nos últimos cinco anos”, detalha o presidente do conselho diretor do InCor, Roberto Kalil Filho.
Na Dasa, o DasAInova (IA) gerou algoritmo que reduziu o tempo de realização de exames de ressonância magnética em 40% e usa processamento de linguagem natural para identificar doenças. O Biodesign Lab tem parceria com a PUC-Rio para projetos de bioimpressão e metaverso, entre outros. Internamente, criou o aplicativo Nav e o Núcleo de Operação e Controle para apoiar decisões com indicadores. Segundo Gustavo Pinto, diretor médico de saúde e plataforma digital da Dasa, parceria com Google vai ampliar o uso de IA e dados em diagnóstico e aprimorar o Nav.
A área de Engajamento de Startups, nascida em 2022, trouxe novatas como a IntuitiveCare, que reduziu o tempo para o pagamento de itens por planos de saúde.
Fonte: Valor Econômico