Definições de política fiscal do novo governo vão afetar decisões de compra de ações
Por Roseli Loturco — Para o Valor, de São Paulo
15/12/2022 05h03 Atualizado há 6 horas
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Claudio Delbrueck, gestor de fundos da Solana Capital: foco nas posições intra-setoriais, “onde o macro pesa menos” — Foto: Divulgação
As dúvidas em relação à política econômica e fiscal do próximo governo e como ela poderá impactar o desempenho das empresas são os principais desafios dos gestores de fundos long & short. Apesar da indicação do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad para o Ministério da Fazenda, especialistas ainda aguardam a definição dos postos chave para prever alguns vetores de crescimento do país e, a partir daí, se posicionar em relação à compra e venda de ações, principal característica desta categoria de fundo.
“De um lado tem mercado barato e descontado, mas nós não sabemos como será a conduta da política econômica para nos posicionarmos. E tem empresas que podem ficar mais ou menos vulneráveis”, observa Adriano Leite, sócio da Moat Capital, uma das casas que ficaram em destaque entre os 10 fundos long & short com melhor relação risco e retorno nos últimos três anos encerrados em setembro de 2022, no “Guia Valor de Fundos de Investimento”.
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Como as decisões econômicas costumam impactar o desempenho da bolsa, dos juros e do câmbio, os gestores estão cautelosos. Do lado externo, as atenções se voltam para a perspectiva de reabertura econômica da China, que pode beneficiar as empresas produtoras de commodities, e em relação à dinâmica de juros nos Estados Unidos, que continua sendo um dos principais drivers para os mercados globais.
“A gente faz análise micro e macro para montar a carteira. E buscamos distorções de pares. Do meu fundo, 80% são empresas do mesmo setor no Brasil e lá fora”, afirma Leite. Ao todo são 150 empresas e 100 pares no fundo Moat Capital Equity Hedge FIC FIM. Dos 80% citados pela gestora, 75% estão em pares de empresas brasileiras e 25% em pares de empresas listadas no EUA.
No período avaliado pelo guia, o fundo entregou 41,4% versus um CDI de 18,3%. O gestor diz que tenta operar todos os setores que tenham liquidez. “As vezes faço pares com índices também. Posso estar comprado em Ibovespa e vendido em S&P 500. Hoje não tenho essa posição, mas já tive”, afirma Leite. Já os 20% restantes do fundo podem fazer arbitragem e comprar e vender empresas de setores diferentes, o que gera, na opinião do gestor, maior possibilidade de retorno. “O que nos dá condições de gerar ganho fora dos 80% da carteira e não perder oportunidades.”
Desde a segunda metade de 2021, a indústria de fundos de ações e multimercados tem sofrido mais resgates do que aplicações em função dos juros altos, que têm levado o investidor para a renda fixa. E esse cenário é considerado desfavorável pelos gestores para o fundamento das empresas listadas em bolsa. “O que pode transparecer através do preço de suas ações, uma vez que muitos gestores estão sendo obrigados a vender suas posições para fazer frente a resgates. Portanto, se torna um ambiente mais perigoso, especialmente para posições com horizonte de curto prazo”, observa Claudio Delbrueck, gestor de fundos da Solana Capital, também listada entre os 10 destaques do levantamento. Seu fundo, o Solana Long And Short FIC FIM, rentabilizou 38,89% nos últimos três anos encerrados em setembro.
Delbrueck explica que como o cenário macro impacta significativamente o preço das ações, ao acertar esse cenário, a tendência é de o fundo ter uma boa rentabilidade, independentemente do de crescimento ou queda do Produto Interno Bruto (PIB). Já em momentos de incertezas, quando não há convicção para qual lado deveria ir, como no caso de eleições binárias, reduz-se a exposição bruta do fundo. “E focamos nas posições intra-setoriais – pares de ações do mesmo setor -, onde o macro pesa menos e o micro é mais relevante”, diz Delbrueck. Isso porque a filosofia de investimento da casa é regida por profunda análise fundamentalista, aliada à disciplina no processo decisório e agilidade na implementação das estratégias, além de contínuo controle de riscos. “Buscamos distorções de valores entre o que está precificado na cotação de uma ação e o que achamos que deveria valer, além de analisar qual seria o impacto do preço de uma ação a partir de eventos positivos e negativos, buscando encontrar assimetrias no mercado”, conta Delbrueck.
Já a Neo entende que apesar da categoria long & short ser pequena no Brasil, a diversidade de estratégia é grande. A casa é focada em análise fundamentalista bottom-up para identificar qual é a melhor opção de investimentos em cada setor. “Nosso trabalho é fazer análise de um universo de ações no Brasil e identificar quais têm potencial de valorização melhor do que outros”, afirma Augusto Lange, gestor de ações da Neo Investimentos. Esse é o critério que levou o Neo Argo Long And Short FIC FIM a estar entre os 10 melhores fundos de sua categoria. A gestora explica que as posições ficam na carteira, em média, de três a quatro meses, e depois podem mudar.
“Este ano, as posições que contribuíram para o resultado do fundo foram estar comprado em supermercado – Carrefour – e em saúde – Hypera. Hoje estamos comprados em Banco do Brasil e em empresas de aluguel de carros”, conta Lange.
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Fonte: Valor Econômico