Por Lu Aiko Otta — De Brasília
13/03/2023 05h00 · Atualizado
A quebra do Silicon Valley Bank (SVB) poderá acelerar o corte nos juros aqui no Brasil, avalia fonte do governo. O risco de a quebradeira se espalhar pelo sistema financeiro deverá levar o Federal Reserve (Fed) a uma postura mais cautelosa, de não subir fortemente a taxa nos Estados Unidos, e isso se reflete aqui.
O prêmio de risco do Brasil se dá comparativamente aos países de moeda forte, como os Estados Unidos, explicou. Quando os juros sobem lá, a tendência é que o mesmo ocorra com os juros brasileiros, sob pena de desvalorização do real. O movimento inverso também é válido: menos aperto lá, menos aperto aqui.
A percepção nos bastidores é que o prazo para corte na taxa Selic poderá ser encurtado ou mesmo acelerado. O episódio do SVB aumenta o peso das medidas mitigadoras de risco sistêmico na política econômica, e na política monetária em particular, avalia.
O governo já vem observando com cuidado a situação do mercado de crédito no Brasil, após a revelação da dívida bilionária das Americanas. Também nesse caso, a preocupação é com o risco sistêmico. Se surgirem sinais de que as dificuldades da rede estão contaminando o sistema, o governo pretende agir, por exemplo, ativando linhas de liquidez do Banco Central utilizadas durante a pandemia.
Em entrevista à rede de televisão “CNN”, na última sexta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou que a alta dos juros colocou empresas saudáveis em dificuldades. O representante do governo ponderou que aquelas que se endividaram a taxas em torno de 6% no período de juros baixos agora enfrentam custos em torno de 20%.
Na semana passada, o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, descreveu ao Valor situação semelhante das empresas de alimentação. As companhias do setor passaram a desembolsar entre 30% a 40% a mais para pagar prestações de empréstimos tomados durante a pandemia a juros baixos.
Fonte: Valor Econômico


