Durante sua fala de abertura na Conferência Anual do Banco Central do Brasil, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que o debate no Comitê de Política Monetária (Copom) foi “centrado em critérios técnicos e todos os argumentos foram levados em consideração”. A decisão do Copom foi por reduzir a taxa Selic de 10,75% para 10,50% ao ano.
A decisão de reduzir os juros nessa magnitude dividiu o colegiado. Cinco dos membros do comitê, incluindo Campos Neto, votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual. Já outros quatro optaram por uma redução de 0,5 ponto, como havia sido sinalizado na reunião anterior, de março, “em se confirmando o cenário esperado”.
Em sua fala ontem, Campos Neto disse que gostaria de fazer um pequeno pronunciamento para esclarecer “alguns pontos” sobre a última decisão de política monetária. O presidente do BC começou dizendo que na ata e no comunicado anteriores, o BC disse que o “guidance” (sinalização) tinha condicionantes.
Campos Neto também ressaltou que o Copom discutiu a “extrema relevância” das expectativas no sistema de metas e a importância da convergência da inflação para a meta de 3%.
O presidente do BC também afirmou que a piora das expectativas, tanto as implícitas, quanto do Focus, foram discutidas no comitê. “O Focus, depois de parado por meses, iniciou um movimento com tendência de alta. Decidimos então reconhecer que a expectativa estava desancorada e não com reancoragem parcial”.
O relatório Focus publicado na semana da reunião do Copom mostrava Selic em 9% ao ano em 2025, contra em 8,5% quatro semanas antes. Já a mediana das expectativas de inflação estava em 3,64% no ano que vem, alta em relação a 3,53% de quatro semanas antes.
Sobre o cenário externo, Campos Neto explicou que o Copom olhou a taxa terminal e o risco do cenário para taxa de juros americanas “e entendemos que a taxa terminal tinha piorado, tinha voltado, mas a volta tinha sido bastante pequena”. O presidente do BC ressaltou, como na ata, que o ambiente externo está mais adverso.
No cenário local, Campos Neto ressaltou que o colegiado discutiu o mercado de trabalho forte e a implicação disso na inflação de serviços, além do risco da alta de preço dos alimentos “ser menos benigna”. Segundo ele, a incerteza geopolítica “continua sendo elevada e gera uma incerteza no preço do petróleo.”
Além desses pontos, Campos Neto ressaltou que o prêmio de risco estava piorando quando olhavam algumas variáveis “importantes” na parte longa da curva, “como as NTN-Bs”.
O presidente do BC também ressaltou que houve discussão sobre o fiscal com possíveis implicações para a política monetária. A ata da decisão mostra que o comitê observou “um aumento do prêmio de risco e uma percepção de piora da situação fiscal, de acordo com os agentes que respondem o Questionário Pré-Copom”.
Com esse cenário, Campos Neto disse que o entendimento da maioria dos membros do Copom foi claro de que as mudanças tinham sido relevantes “e que deveríamos responder com uma mudança no ritmo”.
O presidente do BC ainda lembrou que dentro desse grupo, “alguns achavam que tínhamos argumentos para mudança o balanço de riscos”. A ata mostrou que alguns membros já viam que os fatores altistas para a inflação tinham peso superior aos baixistas.
Campos Neto também afirmou que o BC “não se furtará de seu compromisso com o atingimento da meta de inflação e entende o papel fundamental das expectativas na dinâmica da inflação”.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2024/S/i/7XWRrAQaaPwoM4PHBUcA/25042024-pzzb9193.jpg)
Fonte: Valor Econômico
