São Paulo, 14/07/2026 — O dólar pode ter leve queda ante o real nesta sessão, após subir na véspera, com a valorização das commodities dando suporte à moeda brasileira. A alta do petróleo melhora os termos de troca do Brasil, enquanto o avanço do minério de ferro e dados da balança comercial da China acima do esperado reforçam as perspectivas de demanda e favorecem o real. No pré-mercado, o bom desempenho do ETF EWZ e dos ADRs de Petrobras e Vale reforça esse quadro.
A moeda americana também perde força ante pares fortes e algumas divisas emergentes ligadas a commodities, com os rendimentos dos Treasuries operando perto da estabilidade e o petróleo desacelerando a alta, depois do salto de mais de 9% do Brent no dia anterior.
O movimento de baixa, porém, tende a ser contido pela escalada da guerra entre EUA e Irã, que mantém o Brent perto de US$ 87 o barril e amplia as preocupações com a inflação global, reforçando as apostas de juros mais altos nos Estados Unidos. No radar, estão ainda o CPI de junho — que pode mostrar desaceleração da inflação cheia, mas com núcleo resiliente — e o depoimento do presidente do Fed, Kevin Warsh, à Câmara dos Representantes.
Com isso, a direção do câmbio deve ser definida sobretudo pela agenda americana. Um CPI acima do esperado ou um tom mais duro de Warsh tendem a fortalecer o dólar globalmente; já uma inflação mais benigna, somada à continuidade da alta das commodities, pode favorecer o real e limitar o avanço da divisa americana.
No mercado doméstico, o câmbio também deve refletir as expectativas de corte de 0,25 ponto na Selic em agosto — apesar da pressão do petróleo sobre a inflação —, além do cenário eleitoral e da expectativa pelo relatório final do USTR sobre o tarifaço dos EUA contra produtos brasileiros, previsto para amanhã. Embora o presidente Lula tenha afirmado que não haverá novas tarifas, o tema segue como fator de cautela.
A pesquisa Futura/Apex divulgada hoje mostra Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, com 46,3% e 46,1% das intenções de voto, respectivamente.
Na véspera, com a renovação da tensão geopolítica, o dólar subiu 0,47%, para R$ 5,1323, interrompendo três sessões de queda em que havia recuado 0,86%, em linha com a valorização global da moeda americana.
Fonte: Broadcast


