Um dos símbolos da indústria de saúde no Brasil, o Instituto Butantan prepara uma nova fábrica que representará um avanço adicional no uso de automação industrial avançada.
O diretor de desenvolvimento industrial do instituto, Adriano Alves Ferreira, foi um dos brasileiros presentes da Automation Fair e é um entusiasta do impacto das tecnologias na rotina do Butantan:
“Temos tecnologia em todas as áreas e aspectos de nossa fábrica. Isso é fruto de uma transformação digital que o Butantan vem trabalhando há alguns anos.”
A tecnologia se destaca hoje em três frentes, segundo ele: infraestrutura fabril, controle de processos de forma automática, sistêmica, controlável e rastreável, e ausência de papel.
“O registro dos dados sem qualquer papel reforça a rastreabilidade dos dados, passo que precisamos cumprir como indústria farmacêutica. Temos que ter condições de rastrear os lotes produzidos”, diz.
A nova fábrica, prevista para 2029, é descrita por ele como multipropósito, com capacidade de produzir medicamentos e vacinas. Na planta, será possível desenvolver bancos de vírus e de células para produção de novas vacinas virais e celulares, além de medicamentos.
O projeto recebeu um financiamento de R$ 386 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O objetivo de expandir a produção nacional de itens prioritários para o Sistema Único de Saúde (SUS) e reduzir a dependência do Brasil de insumos, medicamentos, vacinas e outros produtos de saúde estrangeiros.
Na feira de Chicago, Alves Ferreira apresentou os resultados das transformações industriais realizadas nos últimos anos pelo Instituto Butantan e também fez pesquisa de campo para novos projetos à frente.
“Aqui [na feira] conseguimos ver o que tem de melhor no mercado”, diz.
Um dos interesses é por soluções autônomas que permitam conectar três etapas do processo industrial: aquisição de materiais, demanda de mercado e planejamento de produção.
“São três pilares importantes para se manter a eficiência da produção, para que permaneça todo o tempo produzindo”, afirma Ferreira.
No momento, já existe um plano de implementação de novos produtos no portfólio do Butantan nos próximos anos, mas a equipe deve estar de que forma essas novas soluções apresentadas em Chicago podem ser incorporadas nesses planos.
“Um das coisas importantes é levar ao conselho informações para tomarem decisões mais rápidas, baseadas em dados e não em achismos”, afirma o diretor de desenvolvimento industrial do Butantan.
Fonte: Valor Econômico