4 May 2023 BEATRIZ BULLA
O Brasil está em posição privilegiada, na comparação com outros países, para traçar uma rota de desenvolvimento que combine a busca por crescimento econômico com a preocupação em criar uma infraestrutura verde e resiliente. Se não adotar esse caminho, porém, pode ver a pobreza extrema aumentar nos próximos anos, como efeito dos choques climáticos. É o que aponta relatório elaborado pelo Banco Mundial, que sustenta que a opção por uma economia sustentável não custará mais caro ao País.
O estudo estima que as questões climáticas podem levar de 800 mil a 3 milhões de brasileiros à pobreza extrema em 2030. Segundo o relatório, isso se deve ao fato de “reduções do rendimento agrícola relacionadas ao clima, eventos climáticos extremos, alterações nos preços dos alimentos, impactos na saúde e redução da produtividade do trabalho devido ao calor” serem fatores que exacerbam a pobreza.
“Há um forte alinhamento entre o que o Brasil tem de fazer para acelerar sua jornada para um status de país de renda alta e o que precisa ser feito na frente de mudanças climáticas”, afirma Stephane Hallegate, consultor sênior de mudanças climáticas do Banco Mundial e coautor do Relatório Sobre Clima e Desenvolvimento Para o País a respeito do Brasil. O Banco Mundial já elaborou relatórios desse tipo sobre 26 países, nos quais aponta caminhos para combinar o desenvolvimento econômico com a preocupação climática.
EVENTOS CLIMÁTICOS. O documento ainda aponta que eventos climáticos extremos causam perdas de R$ 13 bilhões (US$ 2,6 bilhões, ou 0,1% do PIB de 2022) por ano em média e afetam a competitividade econômica do País.
De acordo com o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Johannes Zutt, o País deve aproveitar sua vantagem em energia renovável para se tornar potência de energia limpa ao mesmo tempo que implementa um plano para proteger a floresta amazônica. •
Fonte: O Estado de S. Paulo


