Por Renan Truffi, Valor — Puerto Iguazú, Argentina
03/07/2023 13h35 Atualizado há 19 horas
O ministro das Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, disse nesta segunda-feira que, ao assumir a presidência temporária do Mercosul, o Brasil vai dar continuidade ao processo de adesão da Bolívia ao bloco. O ministro evitou, no entanto, citar a Venezuela, país que também busca reingressar no grupo e conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos bastidores.
Vieira assumiu o compromisso durante a reunião de abertura DAM 62ªcúpula de presidentes do Mercosul, que começou oficialmente nesta segunda em Puerto Iguazú, cidade argentina localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e a própria Argentina.
O discurso do chanceler brasileiro foi feito na presença dos ministros das Relações Exteriores e da Fazenda de cada país do Mercosul. Isso porque amanhã a Argentina passará o comando temporário do bloco para o Brasil, pelos próximos seis meses.
Apesar do tom discreto do chanceler, o Brasil vem defendendo, nos bastidores, a reintegração da Venezuela ao bloco do Mercosul. Na semana passada, por exemplo, a embaixadora Gisela Padovan, secretária para América Latina e Caribe do Itamaraty, explicou que a diplomacia brasileira vai, sim, tratar deste tema em algum momento, mas não nesta primeira etapa.
“O Brasil pretende levar [este tema para a próxima reunião do Mercosul]? Eu diria que não. É do interesse do Brasil ter a Venezuela de novo [no bloco]? Sim, mas precisa discutir as condições”, explicou.
Neste sentido, ela admitiu que a questão da democracia no país de Nicolás Maduro, atual presidente, deve pesar na avaliação dos países do bloco — o regime venezuelano é alvo de críticas por uma série de denúncias de violações aos direitos humanos.
“A razão da suspensão [da Venezuela] foi o não cumprimento do calendário de ações de qualquer país que queira ingressar [no Mercosul] e evidentemente a questão democrática é importante”, disse Gisela. “Entendo que não está prevista qualquer discussão [sobre reintegração da Venezuela], mas neste contexto de retomada [de aproximação do bloco], este assunto deverá ser debatido em algum momento. Gostaríamos de ver a Venezuela reintegrada no Mercosul”, complementou a secretária.
A representante do Itamaraty também contou, na ocasião, que o Brasil espera que as próximas eleições venezuelanas sejam “livres”. “Estamos trabalhando junto com o governo venezuelano. Somos um governo democrático e estamos trabalhando na expectativa de que haja eleições livres [na Venezuela]”, concluiu.
Fonte: Valor Econômico


