Por Paula Martini, Valor — Rio
30/05/2023 11h41 Atualizado há 17 horas
A queda de 4,63% acumulada em 12 meses até abril deste ano no Índice de Preços ao Produtor (IPP) foi a maior nesse tipo de comparação desde o início da série histórica, em dezembro de 2013. Os preços apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são conhecidos como de ‘porta de fábrica’ porque não são considerados, em seu cálculo, os impostos e o frete.
Na divulgação anterior, o acumulado em 12 meses já havia apresentado queda recorde de 2,3% no acumulado em 12 meses até março (dado revisado a partir de queda de 2,32%).
De acordo com o analista da pesquisa, Murilo Alvim, o setor químico foi o que mais puxou a queda em 12 meses, com um acumulado negativo de 25,22% até abril. A principal influência foi a queda no preço dos fertilizantes, que já registra dez meses seguidos de baixa, segundo o técnico.
“Os produtores fizeram esforço na aquisição de fertilizantes para evitar uma possível escassez na época de safra. A partir do segundo semestre do ano passado, a exportação voltou a subir, mas não foi acompanhada de demanda interna porque os produtores já estavam com seus estoques”.
Ele destacou que as outras quedas significativas na comparação em 12 meses vieram do setor de refino de petróleo e biocombustíveis, com recuo de 17,41% até abril, e de metalurgia, que registrou retração de 13,12% no período. Questionado se a mudança no modelo de cobrança do ICMS sobre combustíveis pode impactar os próximos resultados, o analista destacou que qualquer variação no preço do petróleo se espraia por toda a cadeia produtiva, ainda que não seja possível prever em que medida.
“Qualquer variação de preço de petróleo vai impactar diretamente o setor de refino de petróleo e biocombustíveis se espalhando por toda a indústria. O IPP não pega frete no produto que a gente faz a coleta, mas vai pegar o frete que o produtor paga para trazer a sua matéria-prima. Então já pode impactar os custos da empresa e passar para o preço final, mas a gente não consegue afirmar isso hoje ainda.”
O IPP da indústria é formado por dois índices: o da indústria de transformação e o da indústria extrativa. A indústria extrativa, segundo o pesquisador, acumulou queda de 8,39%, o que também explica o novo recorde negativo em 12 meses. “Se a gente pegar esses quatro setores que mais influenciaram o resultado, todos tiveram queda mais intensa que a média da indústria e ajudam a explicar por que a gente teve esse recorde”.
De acordo com Alvim, o IPP apresentou oito variações negativas nos últimos nove meses, com uma queda acumulada de 8,29% de agosto do ano passado até abril deste ano. Ele ressaltou, no entanto, que o indicador acumulou uma alta de 76,91% de agosto de 2019 a julho de 2022, o que faz com que o IPP ainda esteja longe de atingir o patamar anterior à pandemia.
“A gente vê que essa queda acumulada de 8,29% ainda está longe de fazer com que o índice volte ao patamar pré-pandemia já que vem alta de uma alta acumulada de 76,91%. É uma base de comparação muito elevada.”
Fonte: Valor Econômico


