Por Talita Moreira, Valor — São Paulo
02/01/2023 19h19 Atualizado há uma hora
O Bradesco promoveu uma reformulação de sua operação de alta renda. O movimento levou à criação de uma espécie de vertical de “wealth management”, reunindo o atendimento e os produtos voltados a esse público-alvo. Ao mesmo tempo, a experiência do cliente ganhou uma vice-presidência própria na Cidade de Deus.
As duas iniciativas sinalizam uma resposta ao aumento da competição e à digitalização vistos nos últimos anos. De um lado, a alta renda tem sido o segmento dos grandes bancos mais assediado pela concorrência. De outro, a experiência do consumidor tornou-se mais relevante em meio ao padrão de atendimento mais simples que as fintechs oferecem. As ações do Bradesco acumularam queda de 25,09% em 12 meses até segunda-feira.
As mudanças fazem parte da reorganização que o Bradesco costuma promover a cada início de ano em sua diretoria, quando aproveita para dar mais ênfase a algumas áreas e reestrutura outras. Na rodada atual, toda a operação de wealth e alta renda passa a ser concentrada em torno do diretor-executivo Leandro Miranda. Sob o guarda-chuva dele, ficarão os negócios de private banking, o segmento Prime e o chamado “top tier”, que reúne clientes logo abaixo do private e acima do Prime. A estrutura também abrigará a plataforma de investimentos Ágora, o Bradesco Bank (antigo BAC Flórida, banco nos Estados Unidos) e a distribuição de investimentos.
Miranda, até agora, comandava as áreas de relações com investidores, médias empresas, private equity, Ágora e Bradesco Bank. Portanto, o executivo já era responsável por parte da estrutura voltada à clientela endinheirada, mas daqui para a frente consolidará a operação. O executivo responderá às vice-presidências de atacado e de varejo, dependendo do segmento e dos produtos em questão.
Havia, no Bradesco, um diagnóstico de que os clientes de alta renda demandavam uma estrutura mais focada, segundo apurou o Valor. Esse público é importante por ser um grande gerador de negócios para o banco de atacado, como ofertas de ações e fusões e aquisições. No ano passado, o Bradesco assumiu a carteira de gestão de fortunas do BNP Paribas no Brasil e havia feito o mesmo com a operação local do J.P. Morgan.
Ao mesmo tempo, a alta renda é a clientela dos grandes bancos que mais vem sendo assediada nos últimos anos com a proliferação de gestoras e o crescimento de outras instituições financeiras. Ao reunir toda a operação sob um mesmo executivo, a tendência é que haja mais uniformidade no atendimento.
No processo de reorganização deste ano, também foi criada uma vice-presidência para abrigar o que se chama de Bradesco Experience (experiência do consumidor) e inteligência digital. A área ficará com José Ramos Rocha Neto, até então diretor-executivo. Cartões e empresas investidas (como a Cielo) ficarão sob o executivo.
Ao mesmo tempo, Marcelo Noronha e Eurico Fabri trocaram posições. O primeiro, que era vice-presidente de atacado, assumiu a vertical de varejo, incluindo marketing, vendas digitais e CRM. O segundo, que era responsável pelo varejo, cuidará do atacado. Nas demais vice-presidências, Cassiano Scarpelli também será o diretor financeiro (CFO). André Cano ficará com relações institucionais, e Moacir Nachbar, com áreas como jurídico, crédito e compliance. A rotação de cargos é praxe no alto escalão do Bradesco, de forma que os executivos ganhem experiência em diversas áreas.
Na diretoria-executiva, Guilherme Leal, que era responsável pelo private e pelo alta renda, deixará essas áreas e terá sob sua alçada a Bradesco Asset (Bram) e novos negócios. A gestora estava na área de Roberto Paris, que passará a cuidar da tesouraria e de pesquisas e estudos econômicos, respondendo diretamente ao presidente do banco, Octavio de Lazari Jr.
No fim da semana passada, a instituição financeira anunciou que Carlos Firetti, diretor de relações com o mercado, será também diretor de relações com investidores, acumulando as funções.
O banco de investimentos do Bradesco BBI continua com Bruno Boetger, mas o executivo ganhará novas áreas: o segmento de empresas médias; agências e subsidiárias no exterior; e câmbio.
Procurado, o Bradesco confirmou as mudanças.
Fonte: Valor Econômico


