Por Matheus Schuch, Vandson Lima, Murillo Camarotto, Estevão Taiar e Guilherme Lúcio da Rocha* — Brasília e São Paulo
08/09/2022 14h13 Atualizado há 11 horas
Apesar de prever R$ 400 como piso do Auxílio Brasil no Orçamento de 2023, o presidente Jair Bolsonaro foi além da promessa de manter o patamar de R$ 600. Em peça de sua campanha à reeleição, disse ontem que o valor chegará a R$ 800 para beneficiá rios que conseguirem um emprego. Neste caso, os contemplados passariam a receber o salário do trabalho mais o valor turbinado do programa.
Este pagamento extra já existia, mas foi revogado em março deste ano. O programa do presidente também criticou o Bolsa Família, afirmando que quem recebia o antigo programa não podia trabalhar. A afirmação é falsa pois, assim como o Auxílio Brasil, o programa social criado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha um período de permanência de dois anos para quem passasse a ter um emprego, além da regra de que a renda familiar per capita não ultrapassasse meio salário mínimo.
Mais tarde, em sua “live” semanal, Bolsonaro relatou ter almoçado com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e garantiu que os dois, além do ministro Paulo Guedes (Economia), estão de acordo com a manutenção do piso de R$ 600.
“Está garantido, a proposta vai ser apresentada pelo Paulo Guedes, ele vai se empenhar para botar em pauta e votar esses R$ 200 extra para continuar valendo no ano que vem os R$ 600 ”, disse. O presidente não citou a promessa veiculada por sua propaganda eleitoral.
Para o relator do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2023, senador Marcelo Castro (MDB-PI), como atual presidente da República, Bolsonaro tem poder de ação e já poderia dizer qual será a fonte de receitas que irá abastecer o programa.
“Ele já havia prometido manter os R$ 600 do benefício, mas quando enviou a proposta orçamentária ao Congresso, no final de agosto, o valor foi mantido em R$ 400. Agora, ele vai além. Promete R$ 800 e não diz de onde vai tirar os recursos para esse acréscimo”, criticou o senador, que é aliado de Lula. Castro classificou a fala do presidente como “palavras ao vento”. Procurado pelo Valor, o Ministério da Economia informou que não iria comentar.
A promessa do presidente, feita a menos de um mês das eleições, vem no momento em que ele segue atrás do candidato do PT nas pesquisas de intenção de votos. Estes levantamentos foram desacreditados ontem por Bolsonaro, que se utilizou da adesão de apoiadores a atos no 7 de Setembro para contrapor os números.
Mais cedo, em uma sabatina do jornal “Correio Braziliense”, Bolsonaro deu mais uma demonstração de que poderá questionar o resultado das urnas, e sustentou que os atos no feriado da Independência comprovam que na verdade é ele quem vencerá o pleito no primeiro turno.
Empenhado em ampliar votos no segundo maior colégio eleitoral do país, Bolsonaro fez mais um aceno ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), líder nas pesquisas à reeleição. O presidente disse que os dois estarão juntos em um eventual segundo turno presidencial.
Na sabatina, Bolsonaro voltou a criticar ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Ele mencionou a decisão em que Moraes barrou, em 2020, a posse do delegado Alexandre Ramagem, amigo da família do presidente, para a direção da Polícia Federal.
“Tem certa politização dentro do STF, tem gente que tem bronca ideológica comigo”, conclui. O pagamento da segunda parcela do Auxílio Brasil não será realizado hoje, como ocorreu em agosto, informou ao Valor o Ministério da Cidadania. No mês passado, o pagamento foi feito no dia 9. A pasta afirmou que o calendário regular prevê o pagamento somente no dia 19 e que vem tentando antecipar o desembolso dos R$ 600 para a próxima semana.
(Colaboraram Lu Aiko Otta e Renan Truffi, de Brasília)
Fonte: Valor Econômico


