Por Gabriel Caldeira — De São Paulo
11/10/2023 05h03 Atualizado há 4 horas
As bolsas europeias encerraram o pregão em forte alta, ao redor de 2% nos principais mercados do continente. Investidores se animaram com a possibilidade de que a China adote estímulos para impulsionar a economia doméstica e reagiram aos comentários com tom “mais suave” de dirigentes do Federal Reserve (Fed), que praticamente tiraram do horizonte a necessidade de o banco central dos EUA voltar a subir os juros.
O índice Stoxx 600, que compila ações de 17 mercados da Europa, fechou em alta de 1,96%, a 452,48 pontos. Foi a maior alta diária desde novembro de 2022, segundo dados da Bloomberg. Em Frankfurt, o DAX (principal índice alemão) subiu 1,95%, para 15.423,52 pontos; o índice FTSE 100, de Londres, avançou 1,82%, a 7.628,21 pontos, e o CAC 40, de Paris, valorizou 2,01%, a 7.162,43 pontos.
As ações do setor de turismo e lazer estiveram entre os destaques de recuperação no pregão, após terem sido vendidas acentuadamente na segunda-feira devido às preocupações com o conflito entre Israel e o Hamas.
Os papéis europeus operaram em alta desde o início do pregão embalados pela expectativa de que a China libere mais estímulos à economia, que encontra dificuldade para se recuperar neste ano após um período de fraqueza por conta da pandemia de covid-19. De acordo com a Bloomberg, autoridades chinesas planejam aumentar o déficit orçamentário em até cerca de 1 trilhão de yuans (US$ 137 bilhões) para abarcar os novos estímulos, que incluem gastos em infraestrutura.
No entanto, para Michael Hewson, analista-chefe da CMC Markets, o montante é pequeno e não deve mudar o cenário chinês de forma considerável, “mas é um reconhecimento de que pode ser o início de outras medidas fragmentadas”.
Está claro que Wall Street aposta que o Fed terminou [de subir os juros]” — Edward Moya
Outro fator que apoiou a busca por risco ontem foram comentários feitos por dirigentes do Federal Reserve, que abandonaram a postura conservadora recente e reduziram as chances de que o banco central volte a subir os juros neste ciclo. Na segunda, o vice-presidente, Philip Jefferson, e a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, transpareceram cautela em apertar mais a política monetária diante da alta recente dos juros de mercado nos EUA. Ontem, Raphael Bostic, da distrital de Atlanta, foi categórico ao afirmar que não vê necessidade por mais aumentos de juros para conduzir a inflação à meta de 2% ao ano.
Os comentários dos dirigentes do Federal Reserve provocaram uma forte queda das taxas dos Treasuries, que já recuavam diante da busca por segurança em meio ao conflito entre Israel e Hamas. “Com a reabertura total do mercado de Treasuries, está claro que Wall Street aposta que o Fed terminou [de subir os juros]. Uma recuperação duradoura dos Treasuries parece improvável, dadas as grandes mudanças estruturais de maior oferta e a incerteza com relação à demanda”, diz Edward Moya, analista-sênior da Oanda. (Com agências internacionais)
Fonte: Valor Econômico