Não é de hoje que os estrategistas do Bank of America têm mostrado viés mais otimista em relação ao real. E, mais recentemente, o banco americano reforçou essa percepção ao manter uma dupla aposta na valorização da moeda brasileira. O curto prazo, porém, não tem sido tão frutífero quanto o esperado pelo banco.
Desde agosto, o BofA tem mantido uma posição comprada em real contra o peso mexicano. E, mais recentemente, abriu outra posição comprada em real, mas agora frente ao peso colombiano. Na prática, o banco avalia que a moeda brasileira pode se valorizar em relação às outras divisas da América Latina.
“Vemos potencial de uma ‘outperformance’ [desempenho superior] do real diante do ‘carry’ excepcionalmente alto, do ‘valuation’ atrativo e da possibilidade de melhora das relações entre Brasil e Estados Unidos. Em contraste, esperamos uma ‘underperformance’ [desempenho inferior] do peso colombiano em meio a uma deterioração fiscal, reversão de fluxos e preocupações de política externa”, justificaram os estrategistas do BofA ao abrirem a posição há alguns dias.
De fato, o ‘carry’ pelo diferencial de juros tem sido o principal ponto de destaque para participantes do mercado continuarem a apoiar a moeda.
Vale notar, porém, que, pela fotografia de hoje, as duas posições do BofA estão no vermelho. Isso porque o real exibiu uma desvalorização acentuada neste mês, que destoou dos outros ativos domésticos, desde que sofreu com o aumento dos riscos no mercado de crédito privado offshore, que afetou o CDS e contaminou o câmbio.
Na relação real/peso mexicano, a aposta do banco é de que o real suba de 3,45 pesos (início da posição) para 3,80. No fechamento de sexta-feira, o real era negociado a 3,38 pesos.
Já na relação real/peso colombiano, a aposta do BofA é de que o real passe de 724 (no início da posição) para 775 pesos. No fim da semana passada, a moeda brasileira era cotada a 705 pesos colombianos.
Fonte: Valor Econômico


