O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fechou 2025 com lucro líquido de R$ 26,8 bilhões, alta de 1,7% ante 2024, desempenho influenciado por recuperações de crédito e resultados de participações societárias. No exercício, os desembolsos do banco somaram R$ 169,7 bilhões, aumento de 27% em relação a 2024, puxados pelo setor industrial e por atividades de comércio e serviços. Foi o maior valor desde 2015, quando o banco desembolsou R$ 135,9 bilhões a valores correntes. No ano passado, o BNDES também registrou avanços no resultado financeiro e na demanda por crédito, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (17) pela instituição.
De outubro a dezembro do ano passado, o BNDES registrou lucro líquido de R$ 9,6 bilhões, alta de 30% na comparação a igual período de 2024. O lucro recorrente, que exclui ganhos extraordinários e pontuais, como venda de ações e dividendos, foi de R$ 4 bilhões nos últimos três meses de 2025, montante 19% superior ao registrado em igual período de 2024. No quarto trimestre, os desembolsos somaram R$ 67,8 bilhões, alta de 45% sobre igual período de 2024.
No acumulado de 2025, o lucro recorrente alcançou R$ 15,2 bilhões, alta de 15% ante 2024 — o maior da história do banco, segundo a diretoria. O BNDES atribuiu o resultado aos ganhos de crédito e tesouraria, resultantes do crescimento dos ativos. “Tivemos um quarto trimestre forte quando se compara 2024 e 2025. Não é só o resultado no ano que é consistente, mas a trajetória no quarto trimestre seguiu nessa mesma batida”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Em 2025, o lucro líquido foi influenciado por eventos não recorrentes, como recuperações de crédito e resultados de participações societárias. O ganho com reversão de provisões totalizou R$ 1,4 bilhão. O resultado de participações societárias foi de R$ 8,3 bilhões, alavancado por dividendos de PetrobrasCotação de Petrobras, JBS e Axia (ex-Eletrobras).
“Pelo segundo ano consecutivo, o BNDES tem o segundo melhor lucro contábil do sistema financeiro”, disse o diretor financeiro e de mercado de capitais da instituição, Alexandre Abreu.
O banco de fomento encerrou 2025 com R$ 86,4 bilhões em ativos de participações societárias. De acordo com Abreu, as participações somavam R$ 62 bilhões quando a atual administração tomou posse, em janeiro de 2023. “Havia uma forte pressão para que a gente continuasse a se desfazer dos ativos para pagar o Tesouro Nacional e não vendemos”, disse.
Ele acrescentou que a estratégia foi esperar a valorização da carteira. Desde janeiro de 2023, a carteira de ações valorizou R$ 23,7 bilhões. Outros R$ 25,7 bilhões foram arrecadados com pagamentos de proventos e mais R$ 5,4 bilhões com a venda de participações em “empresas maduras”, o que resultou em uma arrecadação de R$ 54,8 bilhões, segundo ele. “Se nós não tivéssemos feito isso [deixado de vender ações], alguém teria ganhado no lugar do BNDES e consequentemente do Estado brasileiro”, afirmou Abreu.
O BNDES retomou, em 2025, os investimentos em renda variável via BNDESPar, braço de participações acionárias do banco. A decisão se deu após um hiato dos investimentos do banco em ações, na esteira de questionamentos sobre a compra de capital em companhias abertas nas administrações anteriores do PT como parte de uma política que ficou conhecida como de “campeões nacionais”.
De acordo com a instituição, porém, trata-se de estratégias diferentes. Agora, o banco irá abrir mão de participações em empresas consideradas consolidadas, como ocorreu com JBS e Copel, para priorizar projetos ligados à descarbonização e inovação. O banco também apresentou os resultados operacionais vinculados à concessão de crédito, que cresceu nas três fases de financiamento da instituição (consulta, aprovação e desembolso), tanto no último trimestre quanto no acumulado de 2025.
No ano, as consultas, primeira etapa para concessão de crédito, chegaram a R$ 389,2 bilhões, crescimento de 19% na comparação com 2024. As aprovações somaram R$ 237,9 bilhões em 2025, alta de 12% ante 2024. “Sob qualquer ponto de vista, o crédito cresceu no BNDES em 2025”, afirmou Abreu.
O diretor de planejamento e relações institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, disse que as aprovações e os desembolsos em 2025 representaram, respectivamente, 1,9% e 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB). “Lembrando que o BNDES, por ser um banco de médio e longo prazos, quando a gente aprova uma operação são financiamentos de quatro anos ou mais para serem desembolsados.”
Outro indicador destacado pela diretoria foi o financiamento via debêntures, que somou R$ 31,6 bilhões, alta de 21,86% ante 2024. Segundo Barbosa, o montante foi recorde na história do banco. “As debêntures começaram a crescer em 2022, quase dobraram em 2023 e continuaram o crescimento em 2024 e 2025. É um exemplo de como o BNDES complementa e não substitui o setor privado”, disse.
Fonte: Valor Econômico