Por Maria Cristina Fernandes, Valor — São Paulo
14/02/2023 17h59 Atualizado há 2 horas
O BNDES pode lançar uma linha de crédito para fornecedores do grupo Americanaspara amortizar o impacto da crise na varejista. A informação é do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que esteve com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Para isso, o BNDES precisaria diversificar o leque de opções de crédito com um redutor na NTN-B de cinco anos, que remunera a taxa do banco, a TLP.
Isso passa por uma proposta a ser enviada pelo Ministério da Fazenda ao Congresso Nacional que também contemplaria o uso da média da inflação e não a taxa mensal como hoje para reduzir a volatilidade do indicador.
“A crise da Americanas aponta para uma retração de crédito, que apareceu no balanço dos bancos, e para a necessidade de fazermos parcerias com outros bancos públicos e privados. O BNDES também pretende discutir esta linha com a Febraban. Para isso precisamos de mais instrumentos”, disse Mercadante, ao Valor, ao deixar a sede do Ministério da Fazenda.
O BNDES tinha R$ 2,4 bilhões na Americanas, mas dispunha de carta de fiança para R$ 1,2 bilhão, já executada. “Não temos risco de crédito no grupo”, diz ao expor a preocupação com o risco dos fornecedores.
O presidente do BNDES disse ainda ter exposto ao ministro da Fazenda a intenção de reduzir em R$ 12 bilhões anuais o pagamento de dividendos do banco para a União. Com um patamar de 40% de dividendos, o BNDES ficaria em linha com o Banco do Brasil. A pauta da reunião ainda passou pelo fim do Imposto sobre Operações Financeiras sobre os empréstimos do banco. “O BNDES pagava porque recebia subsídio, agora já não faz mais sentido”, diz. Tanto a redução de dividendos quanto o fim do IOF dependem da anuência da Fazenda.
Sobre o seminário para a discussão do regime fiscal, Mercadante disse que sua realização será posterior à apresentação do novo arcabouço pela Fazenda. O seminário, para o qual serão convidados Joseph Stiglitz e Jeffrey Sachs, está sendo montado, segundo o presidente do BNDES, em conjunto com a Fazenda e será encerrado por Haddad.
Mercadante disse discordar da avaliação do economista André Lara Resende sobre a postura excessivamente conciliatória da equipe econômica do governo sobre a política monetária. “André Lara Resende é um excelente economista que coordena um comitê de estudos no banco, mas esta é uma avaliação pessoal dele”, diz. O presidente do BNDES reforça este alinhamento com a Fazenda com uma defesa da mudança no Carf, apresentada por Haddad, e com as linhas da reforma tributária apresentadas pelo secretário Bernard Appy que, na sua avaliação, podem ser uma alavanca para a indústria aumentar sua participação nos desembolsos do banco.
Fonte: Valor Econômico


