Traders de petróleo que buscam traçar o caminho dos preços neste ano estão lidando com avaliações fortemente distintas sobre as perspectivas de oferta e demanda — de um enorme superávit a um mercado amplamente equilibrado.
As três principais agências de projeção do mundo — a International Energy Agency (IEA), a US Energy Information Administration (EIA) e a Organization of the Petroleum Exporting Countries (OPEC) — todas atualizaram suas previsões, e as diferenças permanecem tão marcantes como sempre, divididas entre as visões dos dois grupos do lado do consumo e a perspectiva muito diferente dos produtores.
A IEA vê o maior superávit, excedendo 4 milhões de barris por dia na primeira metade de 2026 e com média de mais de 3,7 milhões de barris por dia no ano como um todo. A EIA não fica tão atrás. Ela vê a oferta à frente da demanda em mais de 2,8 milhões de barris por dia neste ano, com o excesso atingindo um pico acima de 3,5 milhões de barris por dia durante o trimestre atual.

Estimativas baseadas em números da OPEC, em contraste, sugerem um mercado muito mais próximo do equilíbrio, com a oferta excedendo a demanda em cerca de 600.000 barris por dia, em média, neste ano.
As previsões mais recentes reafirmam as posições das três agências, que há muito tempo sustentam visões amplamente diferentes sobre os balanços do mercado de petróleo.
Nem a OPEC nem a IEA projetam a produção da OPEC, de modo que esses desequilíbrios futuros exigem que sejam feitas suposições.
Em seu relatório, a IEA usa o acordo atual de produção da OPEC+ como um proxy [referência] para a oferta futura, e a mesma base foi aplicada aos números da OPEC para gerar o gráfico acima, assumindo que a produção dos três países fora do acordo — Irã, Líbia e Venezuela — permaneça estável em cerca de 5,4 milhões de barris por dia, nível observado em dezembro.
Crescimento da demanda
Uma grande parte das diferentes perspectivas pode ser atribuída às visões das agências sobre a demanda por petróleo e seu crescimento.
Em pouco menos de 105 milhões de barris por dia, a projeção de demanda da IEA para 2026 está cerca de 1,5 milhão de barris por dia abaixo da da OPEC. A diferença vem se estreitando lentamente desde agosto, com a IEA elevando sua projeção em 540.000 barris por dia ao longo dos últimos cinco meses, enquanto a visão da OPEC permaneceu inalterada.
A visão mais otimista da IEA decorre do que ela prevê como uma normalização das condições econômicas após a turbulência causada por tarifas efetivas e ameaçadas, que impactaram o consumo em 2025.
Agora, ela espera que o consumo aumente em 930.000 barris por dia em 2026, mas isso ainda é apenas cerca de dois terços do crescimento visto pelos analistas da OPEC. A perspectiva de crescimento da EIA fica no meio do caminho entre as duas.
Mas a divergência não está apenas na força do crescimento neste ano. Ela também reflete diferenças históricas profundamente enraizadas.

Os analistas da OPEC veem a demanda por petróleo crescendo a uma taxa média anual de 1,3% desde 2023, amplamente em linha com as taxas de crescimento de longo prazo observadas antes da pandemia de Covid-19. A EIA vê uma taxa de crescimento ligeiramente menor, de 1,2% ao ano. Isso levou a um aumento da diferença entre as visões da EIA e da OPEC sobre a demanda, que passou de cerca de 1,2 milhão de barris por dia em 2023 para 1,7 milhão de barris por dia neste ano.
A divergência entre a OPEC e a IEA é mais acentuada. Partindo de estimativas de demanda para 2023 que diferem em apenas 200.000 barris por dia, a diferença se ampliou para mais de 1,5 milhão de barris por dia em 2026. A IEA vê o consumo subindo a uma taxa média anual de 0,9% entre 2023 e 2026 — bem abaixo da média histórica.
Todas as três agências revisam continuamente suas projeções de demanda e até mesmo suas avaliações de consumo histórico.
Fonte: Bloomberg
Traduzido via ChatGPT