Minal Bathwal tornou-se discretamente um dos gestores de macro hedge funds mais bem-sucedidos do mundo, fazendo bilhões de dólares na Brevan Howard Asset Management.
Bathwal não teve um único ano de queda desde que começou a gerir recursos durante a crise financeira de 2008 — o que o torna um destaque no estilo de investimento macro global, que recentemente disparou em popularidade. Agora gerindo cerca de US$ 5,5 bilhões, o gestor baseado em Cingapura obteve ganhos em tudo, desde a trajetória dos juros na Coreia até as oscilações de moedas asiáticas.
Essa sequência vencedora lhe garantiu um lugar entre os cinco maiores geradores de lucros de investimento na história da Brevan Howard, um gigante de hedge funds de US$ 35 bilhões fundado há mais de duas décadas. Ele fica atrás apenas de nomes como Alan Howard, o cofundador homônimo que não negocia mais ativamente, e Chris Rokos, outro cofundador que gerou cerca de US$ 4 bilhões antes de sair para montar sua própria gestora, mostram documentos judiciais.
Mas, apesar de consolidar sua lenda em uma das maiores firmas de hedge funds do mundo e de se tornar um cliente cobiçado para bancos globais, Bathwal, de 44 anos, permanece relativamente desconhecido para quem está de fora.
Enquanto o fundador da Bridgewater, Ray Dalio, escreveu inúmeros livros defendendo sua visão de mundo, e titãs como Bill Ackman e Cliff Asness usam regularmente as redes sociais para falar sobre mercados, Bathwal segue extremamente reservado. Ele evita aparições públicas e tem apenas sete conexões no LinkedIn. Mantém um perfil tão baixo que um ex-colega brinca que não o reconheceria na rua.
Os fundos macro global estão em alta, voltando ao favoritismo entre investidores que buscam lucrar com oscilações violentas em tudo, desde a dívida pública japonesa até o preço do ouro. Investidores que responderam a uma pesquisa recente do BNP Paribas SA previram que o macro discricionário será a estratégia de hedge funds com melhor desempenho neste ano. Eles acrescentaram um lamento: não há fundos suficientes liderados por um único chefe com um histórico longo.
Bathwal parece se encaixar no perfil. A maior parte do dinheiro na estratégia que ele lidera vem de vários outros fundos da Brevan Howard, e outra parcela representa lucros retidos. A estratégia abriu por um breve período algumas poucas vezes desde que começou a operar em maio de 2018, dando a um seleto grupo de investidores externos a chance de entrar ao lado de outros fundos da Brevan Howard. Alguns investidores esperam anos por essa oportunidade.
O período de Bathwal na Brevan Howard não é uma história de sucesso irrestrito: seus retornos de cerca de 6,8% no ano passado empalideceram em comparação com alguns de seus maiores rivais, que geraram lucros de dois dígitos à medida que expectativas mutáveis sobre a trajetória dos juros do Federal Reserve e temores de desdolarização criaram um ambiente rico para especialistas em macro.
Mas seu histórico de longo prazo e sua consistência são difíceis de contestar, alimentando comparações com lendas como Stanley Druckenmiller e o ex-colega Rokos — titãs do macro que acumularam décadas de retornos.
“O histórico de longo prazo e a consistência do Minal, em escala, ajudaram a colocar o macro Ásia no mapa como uma oportunidade de primeira divisão”, disse Michael Garrow, diretor de investimentos da HS Group, sediada em Hong Kong, que se encontrou com o gestor várias vezes. “Se você olha para pessoas que fizeram retornos em escala muito grande por muito tempo, vê vários paralelos com o Minal, com seu comportamento calmamente objetivo e a capacidade de se manter disciplinado em meio ao ruído de curto prazo.”
Bathwal e sua equipe geraram um retorno anualizado de 12,7% entre 2008 e o fim de 2025. Seus ganhos de trading foram alcançados com um Sharpe ratio — uma medida dos retornos de um fundo em relação ao seu nível de risco — de 1,7. Em comparação, hedge funds macro discricionários tiveram Sharpe ratio de 1,4 desde 2008, segundo dados compilados pela empresa de pesquisa PivotalPath.
Esta matéria sobre Bathwal e seu estilo de investimento se baseia em conversas com mais de 10 pessoas que trabalharam com ele ou o conheceram, quase todas as quais falaram sob condição de anonimato.
Um representante da firma e Bathwal se recusaram a comentar.
Ascensão rápida
Bathwal teve seu primeiro contato com a gestão de dinheiro no verão de 2008.
A crise do subprime hipotecário nos EUA estava enviando ondas de choque pelos mercados. Ações globais estavam em queda livre. Moedas asiáticas, incluindo as da Coreia do Sul, Índia e Malásia, desabavam frente ao dólar. O Fed estava no meio de uma série histórica de cortes de juros que desencadeou mais de uma década de dinheiro fácil.

Bathwal havia ingressado um ano antes como trader júnior no escritório de Hong Kong da Brevan Howard e, naquele ponto, não tinha experiência real de investimento. O que ele tinha era um profundo conhecimento de como montar operações complexas, graças ao trabalho anterior como structurer [profissional que estrutura produtos] no UBS Group AG.
Seja trabalhando para empresas que tentam fazer hedge do risco cambial ou para investidores de varejo buscando turbinar retornos, structurers desenham e precificam produtos — idealmente com payoffs assimétricos. Esse conhecimento de derivativos e o entendimento de mercados globais e as habilidades de trading que ele desenvolvia na Brevan Howard forneceram uma base para Bathwal nas primeiras semanas e meses gerindo recursos.
Seus primeiros acertos incluíram uma série de apostas ao longo de cerca de dois anos tanto na direção quanto na volatilidade dos juros sul-coreanos. Era o maior mercado de juros de Ásia emergente e aquele em que ele mais se aventurou em seus dias no UBS.
O banco central do país surpreendeu o mercado com cortes recordes de juros a partir de 2008, tentando amortecer o impacto da crise financeira global. Seus retornos quase imediatamente chamaram atenção de seus chefes, que lhe alocaram mais capital do Master Fund da firma para gerir em poucos meses.
Ele encerrou o ano com alta de 21,81% ao longo de seis meses de trading. No fim de 2010, passou a operar para o fundo Ásia da firma, eventualmente tornando-se seu co-CIO (co-diretor de investimentos) em 2016.
Bathwal, que fez seu MBA no Indian Institute of Management Calcutta, disse em uma entrevista no site interno da Brevan Howard que sua falta de experiência prévia em trading acabou sendo “imensamente útil”.
“Ter uma tela em branco me ajudou a moldar meu estilo e evoluir ao longo do tempo”, afirmou.
Desde então, ele gerou bilhões. Ele teve um ganho de 29,49% em 2013, à medida que o experimento japonês de “Abenomics” derrubou o iene frente ao dólar e o chamado taper tantrum [episódio de forte volatilidade após sinalização de redução de estímulos pelo Fed] abalou ativos de mercados emergentes. Ele registrou um retorno de 20,9% em 2015, ganhando dinheiro com movimentos em várias moedas asiáticas após o fortalecimento do dólar a partir do segundo semestre de 2014, incluindo a desvalorização do yuan. Em março de 2020, quando a disseminação da pandemia de Covid-19 desencadeou uma liquidação nos mercados, seu fundo subiu 5,46%.
No ano passado, diz-se que ele ganhou com operações relacionadas a mudanças de expectativa sobre decisões de juros do Fed.
Embora ele mesmo administre a maior parte do capital no fundo, Bathwal montou uma equipe de investimentos de 14 pessoas, incluindo 10 traders. Entre elas, há seis gestores júnior de portfólio que operam seus próprios books [carteiras] dentro do fundo: Manu Kapoor, Ankit Soni, Abhishek Pal, Rishi Singh, Swapnil Kalbande e Stephen Wang.
Pessoas que conhecem Bathwal o descrevem como filosófico. Ele está disposto a ajustar o tamanho das posições sem emoção quando os mercados se movem contra ele, ao mesmo tempo em que evita o overtrading custoso, uma armadilha em que alguns pares do setor caem.
Isso não é apenas instinto. Bathwal é fã do trabalho do economista comportamental Daniel Kahneman, que estudou os vieses que atrapalham a tomada de boas decisões e o reconhecimento de decisões ruins.
Na entrevista interna, Bathwal disse que o “primeiro teste verdadeiro” de ser um bom trader é seu cônjuge ou parceiro não conseguir dizer se você teve um dia bom ou ruim quando você chega em casa do trabalho. “Seja apaixonado pelo trabalho, não emocional”, afirmou.
Estilo de trading
Há alguns traços gerais que descrevem o estilo de trading de Bathwal: ele tenta criar payoffs semelhantes aos de opções, em que custos relativamente pequenos podem gerar retornos muito maiores. Um cuidado extraordinário é dedicado à identificação dos melhores instrumentos financeiros para expressar suas visões, hedges e o sequenciamento de diferentes pernas das operações, disseram pessoas familiarizadas com sua abordagem.
Ele usa uma combinação de operações de curto e médio prazo e às vezes monta múltiplas apostas em torno do mesmo tema, atento às conexões entre mercados, disseram as pessoas. Embora as alocações variem ao longo do tempo, um terço dos investimentos da estratégia pode estar em ideias não relacionadas à Ásia. Bathwal há muito tempo tem interesse em investir em outras regiões, e o aumento de ativos sob sua gestão lhe deu mais poder de fogo para isso, disse uma delas.
A abordagem de trading de Bathwal se alinha ao estilo característico da Brevan Howard e foi aprendida com Kaspar Ernst, que o contratou quando comandava o negócio de Ásia da Brevan Howard em 2007. Como Ernst, Bathwal combina operações de relative value — como apostas no formato da yield curve (curva de juros) — com apostas direcionais sobre o rumo do mercado, disseram as pessoas.

O próprio Ernst foi uma estrela em uma carreira na Brevan Howard que remonta a 2004, liderando uma equipe que não teve perda anual por 15 anos. Ele geriu o fundo Ásia, assim como uma alocação separada do Master Fund da Brevan Howard.
Em 2019, Ernst decidiu fazer uma pausa no trading por motivos pessoais. A firma acabou encerrando o fundo Ásia, cujos ativos caíram de um pico de US$ 2,76 bilhões em dezembro de 2015 para US$ 468 milhões em novembro de 2019. Ernst retornou em 2020 e tem sido gestor de portfólio desde então.
O próprio fundo de Bathwal — que começou a operar em maio de 2018 — tornou-se um bellwether [termômetro].
No início de abril de 2021, o Brevan Howard MB Macro Fund de Bathwal havia atingido US$ 1,85 bilhão, tornando-se o maior entre fundos standalone de quatro traders aos quais o Master Fund da Brevan Howard estava alocando dinheiro, segundo um relatório de due diligence de 2021.
A Brevan Howard agora está devolvendo dinheiro do fundo de US$ 1,4 bilhão criado para Fash Golchin, que passou a gerir seu próprio fundo na firma por volta da mesma época que Bathwal. A decisão faz com que o de Bathwal seja o último remanescente de uma leva de veículos standalone de 2017-2018 que a Brevan Howard criou para traders estrela.
Pod shops
A abordagem de Bathwal de combinar múltiplas operações, em vez de depender de alguns poucos grandes movimentos, é bem adequada às mudanças que ocorreram na indústria de hedge funds na última década.
Enquanto alguns especialistas em macro global, como Tudor Investment Corp. e Soros Fund Management LLC, antes chamavam atenção com apostas ousadas de alta convicção, nos últimos anos houve uma proliferação das chamadas pod-shops [gestoras multi-equipes que alocam capital a vários times], firmas como Millennium Management e Balyasny Asset Management — que efetivamente deslocaram o centro de gravidade para traders de macro.
Essas firmas operam alocando e retirando capital de um grande número de equipes. Embora o grau de sobreposição e de recursos compartilhados entre esses gestores de portfólio varie de uma pod shop para outra, a abordagem subjacente é a mesma: vencedores podem receber mais capital e pagamentos elevados, perdedores podem ter limites de risco reduzidos ou perder seus empregos em ritmo vertiginoso.
Isso forçou toda a indústria a recalibrar práticas de gestão de risco, diante do temor de que os limites rígidos de risco das pod-shops possam desencadear uma corrida para a saída quando operações congestionadas dão errado.
Outros gestores de macro Ásia vieram e se foram. O fundo Graticule Asia Macro, de Adam Levinson, sofreu uma perda devastadora na esteira do colapso do Silicon Valley Bank há quase três anos. A Guard Capital, de Leland Lim — ex-trader do Goldman Sachs Group Inc. e uma das startups de hedge fund mais quentes da Ásia em 2014 — fechou três anos depois em meio a perdas. Danny Yong, da Dymon Asia Capital, lamentando que seus melhores anos vintage como trader haviam terminado, pendurou as chuteiras e virou coach.
Bathwal permanece, construindo um histórico de vários anos que é notável entre fundos macro global — mesmo que isso ainda não o tenha transformado em um nome conhecido do grande público.
Fonte: Bloomberg
Traduzido via ChatGPT
