Empresa inaugura fábrica em MG no dia 26 e aguarda aprovação de diversos medicamentos
PorCibelle Bouças, Valor — Belo Horizonte
A Biomm fechou uma parceria com a farmacêutica indiana Biocon para distribuir no Brasil um similar do medicamento Ozempic, da Novo Nordisk. O medicamento tem como princípio ativo a semaglutida, que pertence à classe de medicamentos análogos ao hormônio GLP-1, atuando atua na regulação da glicemia e do apetite.
A Novo Nordisk tem direito de exclusividade sobre semaglutida até expirar a patente do produto, em 17 de julho de 2026. A partir daí, outros fabricantes poderão produzir similares com o mesmo princípio ativo.
O CEO da Biomm, Heraldo Marchezini, disse que a empresa já vai submeter o pedido de registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que o medicamento esteja pronto para lançamento no varejo assim que a patente expirar. “Vamos nos preparar para lançar no dia seguinte à expiração da patente”, disse o executivo.
Os medicamentos da classe GLP-1 incluem a semaglutida e a liraglutida. No Brasil, o mercado desses medicamentos é estimado em R$ 4 bilhões pela IQVIA, sendo que a semaglutida movimenta R$ 3 bilhões por ano. Nos últimos dois anos, as vendas do medicamento cresceram 39% ao ano no país. “Esse ritmo de crescimento indica que há uma demanda reprimida no país. Existe uma fatia do mercado de diabetes que não é atendida. Um segundo elemento é que também existe uma demanda grande para tratamento da obesidade”, disse Marchezini.
Marchezini disse que o preço do produto similar ainda será definido, de acordo com as condições do mercado. “Será um preço mais acessível que o atual”, disse o CEO.
O executivo observou que o medicamento foi desenvolvido inicialmente para tratamento do diabetes. “É natural que nós que atuamos no mercado de produtos para diabetes estejamos nessa categoria. Temos competência para entrar na categoria. As empresas que já estão nesse mercado no mundo têm fundamento forte no tratamento do diabetes”, afirmou Marchezini.
De acordo com o CEO, em um primeiro momento o medicamento será importado da Índia. Futuramente, a produção deve ocorrer na nova planta industrial da Biomm, que está adequada à produção da semaglutida.
Inauguração de fábrica e autorização de medicamentos
A Biomm inaugura no dia 26 a sua fábrica em Nova Lima (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte, fruto de investimentos de R$ 800 milhões. A unidade tem capacidade para produzir 20 milhões de unidades de carpules (seringas) — e, em breve, canetas — por ano. Também tem capacidade para produzir 20 milhões de frascos de biomedicamentos, como a insulina humana recombinante. A capacidade da fábrica é suficiente para suprir mais de 80% da demanda nacional por insulina.
“Estamos num momento único de visualização de todo o potencial da Biomm como fabricante de biomedicamentos e com a constituição de um portfólio muito sólido, com características para atender as demandas da população brasileira”, afirmou Marchezini.
A inauguração da fábrica faz parte dos esforços da companhia para se consolidar como referência no país em biomedicamentos voltados sobretudo para tratar de forma holística problemas que afetam pacientes de diabetes. A Biomm tem trabalhado para diversificar o seu portfólio, com medicamentos das áreas de endocrinologia, oncologia e antitrombóticos.
“A produção no Brasil é o caminho para o país sair da dependência internacional de medicamentos para diabetes”, disse o CEO da Biomm.
De acordo com dados da pesquisa Vigitel Brasil 2023 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), o diabetes atinge 10,2% da população brasileira, ou 16,8 milhões de doentes adultos. O Brasil é o quinto país em incidência da doença no mundo, perdendo para China, Índia, Estados Unidos e Paquistão.
Na fábrica de Nova Lima, a Biomm vai começar com a produção do biossimilar da insulina glargina, chamado Glargilin. O medicamento injetável é licenciado da chinesa Gan & Lee. O produto tem duração de 24 horas e é usado diariamente por pacientes com diabetes. A Biomm recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início deste mês para produzir o Glargilin na fábrica de Nova Lima. Atualmente o produto é importado.
O Glargilin é líder nas vendas de insulina para o setor público, segundo Marchezini, com vendas para os Estados, e tem crescido em vendas no varejo farmacêutico.
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Com a indiana Wockhardt e a Fundação Ezequiel Dias (Funed), a Biomm finaliza as últimas etapas de uma parceria de desenvolvimento produtivo para insulina humana, que é usada no Sistema Único de Saúde (SUS). Recentemente, a Biomm venceu uma licitação para fornecer cerca de 2 milhões de unidades do medicamento para o Sistema Único de Saúde (SUS) em 12 meses. O contrato é de R$ 34 milhões.
“Estamos em fase final de concretização da PDP [Parceria para o Desenvolvimento Produtivo] para que haja também a produção em Nova Lima da insulina humano. E aí, sim, teremos a complementaridade das duas insulinas basais com acesso melhor para os pacientes diabéticos no Brasil”, afirmou Marchezini.
A empresa fez em fevereiro um aumento de capital de R$ 217 milhões. Segundo Marchezini, o aporte vai permitir à companhia ter giro de capital para fazer de três a quatro lançamentos simultâneos.
A Biomm faturou R$ 118,1 milhões em 2023 com a venda de cinco biomedicamentos licenciados. São eles: Wosulin, insulina humana recombinante injetável, produzido pela Wockhardt (Índia); Ghemaxan, enoxaparina sódica, usada para tratamento de trombose venosa profunda e doenças cardiovasculares, produzida pela Chemi (Itália); Glargilin, produzida pela Gan & Lee (China).
Atualmente, a empresa tem uma lista de novos medicamentos que estão em análise na Anvisa para comercialização nos próximos meses. Um deles é o Bevacizumabe, anticorpo monoclonal usado para tratar diversos tipos de neoplasias, produzido pela Bio-Thera Solutions (China). Também fazem parte da lista Pegfilgrastim, usado para redução da neutropenia em pacientes que fazem quimioterapia, produzido pela Lupin (Índia); Ranibizumabe, fragmento de anticorpo monoclonal usado para tratar lesões na retina, produzido pela Bioeg (Suíça); e o Ustequinumabe, anticorpo monoclonal usado para tratamento de doença de Crohn, produzido pela Bio-Thera Solutions (China). Mais recente Próxima Toshiba cortará 5.000 empregos em nova fase de reestruturação, diz Nikkei
Fonte: Valor Econômico