Bill Ackman está em negociações para lançar uma estratégia que faria grandes apostas na complacência dos mercados financeiros, com a ideia de repetir o sucesso das operações do tipo “fim do mundo” feitas pelo investidor bilionário durante a pandemia da covid-19.
A Pershing Square, de Ackman, usaria o fundo para fazer operações “assimétricas” com o objetivo de lucrar com apostas contra a narrativa prevalecente nos mercados, segundo fontes a par do assunto.
A estratégia se assemelharia às apostas feitas durante a crise da covid-19, quando Ackman pagou US$ 27 milhões por derivativos que se valorizaram quando houve uma onda de vendas de títulos de dívidas de empresas. A operação rendeu à Pershing Square um ganho fora de série de US$ 2,6 bilhões, depois que a instabilidade econômica provocada pela pandemia deixou os mercados de títulos atordoados.
Em vez de realizar novas operações “fim do mundo” por meio do fundo principal da Pershing Square, um veículo com ações negociadas em Amsterdã e cerca de US$ 20 bilhões em ativos, Ackman está em conversas para elaborar uma estratégia inteiramente nova, segundo três fontes que foram informadas a respeito do assunto.
Os planos de Ackman para um possível novo fundo chegam em um momento em que a volatilidade dos mercados e 2026 pegou a Pershing no contrapé. O principal fundo da empresa perdeu mais de 16% de seu valor até o fim de março, segundo declarações informativas enviadas às autoridades reguladoras.
O novo fundo da Pershing manteria grande parte de seus ativos em títulos americanos de curto prazo antes de alocar o capital em grandes apostas de crédito e macroeconômicas semelhantes às que o fundo principal costuma fazer, segundo uma das fontes.
Nas últimas décadas, Ackman e outros gestores de fundos hedge, como John Paulson e Michael Burry, usaram contratos de derivativos, como swaps de crédito para proteção contra calotes, para erigir grandes apostas altamente alavancadas contra títulos hipotecários e de empresas. Os derivativos também podem ser usados para fazer grandes apostas em mudanças bruscas em moedas, taxas de juros e cotações de commodities.
Uma das operações mais conhecidas de Ackman ocorreu durante a crise financeira mundial de 2008. Ele fez uma aposta de US$ 60 milhões em 2009 em uma operadora de shopping centers que estava em recuperação judicial, a General Growth Properties, participação que depois passaria a valer cerca de US$ 3,6 bilhões.
As notícias sobre o novo fundo de Ackman surgem enquanto ele se prepara para abrir o capital de seu fundo hedge e precisa mostrar aos possíveis investidores novos canais de crescimento. Em conversas reservadas com possíveis investidores na Pershing Square, Ackman tem destacado o fundo “assimétrico” como uma possível forma de turbinar as receitas que a empresa obtém com taxas de administração, segundo fontes informadas sobre as reuniões.
Ackman também aludiu à possibilidade de um novo fundo com foco nesse tipo de aposta macroeconômica, em um documento apresentado em março aos reguladores para a abertura de capital. Seu fundo principal tem cerca de uma dúzia de posições, com apostas de longo prazo em empresas como Uber, Google e Amazon. Essa concentração de apostas deixa sua carteira exposta às oscilações dos mercados de ações.
“[A Pershing Square] pode optar por complementar nosso crescimento orgânico lançando seletivamente novos fundos de capital permanente e outros veículos que aproveitem nossa marca e competências principais” para incrementar a base de capital da empresa, informa o prospecto para a abertura de capital apresentado em março.
Ackman também vem explorando formas de concretizar sua ideia de criar um conglomerado mais amplo antes da abertura de capital.
Ele comprou uma grande participação na incorporadora imobiliária Howard Hughes Holdings e vem usando-a como veículo para criar um amplo conglomerado, que ele tem propagandeado como uma Berkshire Hathaway dos dias modernos. Recentemente, essa empresa adquiriu uma firma de seguros de ramos elementares, de danos e patrimônio.
No início da semana, o bilionário também fez uma oferta para comprar a Universal Music Group em uma operação, em grande parte em ações, que avalia a gravadora em cerca de 55 bilhões de euros. A transação envolveria transferir a gravadora para uma empresa de aquisição de propósito específico (Spac, na sigla em inglês) controlada por Ackman.
Ackman espera levantar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões em uma oferta pública inicial de ações conjunta da firma de gestão da Pershing Square e de um novo fundo fechado nos Estados Unidos chamado Pershing Square USA.
Fonte: Valor Econômico
