27 Mar 2023
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, demitiu ontem o ministro da Defesa Yoav Gallant, um dia depois de ele criticar a reforma judicial que limita o poder da Suprema Corte e torna mais fácil para o Executivo nomear juízes. Poucas horas depois da demissão, milhares de pessoas tomaram as ruas de Israel em protesto contra a medida.
Sob pressão de militares críticos ao projeto, Gallant defendeu no sábado a suspensão da tramitação da reforma na Knesset, o Parlamento de Israel, em meio a manifestações populares que acusam Netanyahu de enfraquecer a democracia no país. Segundo o ministro demitido, a reforma está provocando revoltas dentro do Exército e, no limite, pode se tornar um problema para a segurança de Israel.
A demissão, anunciada num lacônico comunicado de uma linha, deve agravar a crise política no país e provocar dúvidas sobre a estabilidade da coalizão de Netanyahu, que voltou ao poder este ano depois de se aliar a extrema direita e nacionalistas religiosos.
Gallant, de 64 anos, foi nomeado há menos de três meses, afastando-se da concorrência de um membro mais extremista da coalizão com muito menos experiência militar.
Sua nomeação aliviou os temores em Washington de que Netanyahu pudesse nomear um legislador de extrema direita para supervisionar o poderoso Exército de Israel, que recebe considerável ajuda e assistência técnica dos EUA.
Um ex-comandante da Marinha, Gallant recebeu ligações de ex-colegas militares para se manifestar contra a reforma judicial.
Dois aliados moderados de Netanyahu apoiaram o pedido de Gallan. Se um terceiro seguir o exemplo, o governo pode perder a maioria.
Netanyahu quer votar no começo desta semana um dos artigos da reforma que trata da remoção de juízes da Suprema Corte.
O premiê enfrenta uma série de processos na Justiça e é acusado por seus críticos de tentar mudar a lei em benefício próprio. •
Fonte: O Estado de S. Paulo.


