Por Estevão Taiar, Valor — Brasília
27/02/2023 10h49 Atualizado há 13 horas
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira que a autoridade monetária está negociando a formação de um “bloco de pagamentos instantâneos” com Colômbia, Uruguai, Peru, Equador e Chile, nos moldes do Pix. “Estamos olhando como fazer o Pix internacional”, disse em evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília.
A respeito de novas funcionalidades do sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, Campos citou, entre outros exemplos, o Pix automático, que funcionaria de maneira “similar ao débito em conta” e como “nova alternativa para pagamentos recorrentes”.
Já o modelo de moeda digital do Brasil tem “mais” o objetivo de “fomentar novos negócios”, ao contrário do que é visto em outros países. Segundo Campos, “no mês que vem já vamos ter um piloto da moeda digital”.
“A ideia é ter algo funcionando no máximo em 2024”, disse.
A respeito da regulação criptoativos, o presidente afirmou que a autoridade monetária está “trabalhando muito” com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “É importante a CVM estar 100% alinhada com a gente.”
Ele também relatou que, há aproximadamente um ano, participou de reunião sobre criptoativos com a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen. No encontro, Campos destacou para Yellen dois problemas principais que enxergava no setor: uma “custódia muito concentrada”, com três agentes sendo responsáveis por 90% do mercado; e o “custodiante tomando risco”.
“Se eu tomo risco, não deveria oferecer o serviço”, disse. De acordo com ele, “se não houvesse proibição de bancos serem custodiantes” de criptoativos, “talvez não teríamos o problema da FTX”, referindo-se à empresa com sede na Bahamas que foi à falência no ano passado.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que é sócio do IDP, também falou rapidamente na abertura do evento. Ele afirmou que nos anos 80 o Brasil “era atormentado pela inflação exagerada”. “Hoje temos um debate sobre inflação de 5% ao ano. Isso também mudou”, disse.
Fonte: Valor Econômico
