Companhia espera crescimento de duplo dígito em 2025 no Brasil, apesar de projeções globais mais modestas
A farmacêutica Bayer faturou R$ 1,5 bilhão no Brasil em 2024, alta de 9,3% no comparativo anual, sustentada pelo bom desempenho de lançamentos e produtos já consolidados no mercado. A expansão foi mais de três vezes superior à média global de 3%, de acordo com informações divulgadas com exclusividade ao Valor.
Na região da América Latina, o Brasil foi o segundo país com maior crescimento, atrás do México. A divisão farmacêutica da Bayer faturou 825 milhões de euros na América Latina, alta de 10,8% em relação ao ano anterior, sustentada pelo bom desempenho de lançamentos e produtos já consolidados no mercado. O presidente da Bayer Farmacêutica Brasil, Adib Jacob, afirma que especialidades como oftamologia e oncologia foram destaque no mercado no último ano e devem sustentar um crescimento de duplo dígito no Brasil em 2025 —apesar da Bayer estimar queda global de 1% a 4% nas receitas dos negócios farmacêuticos.
“Estamos crescendo em áreas terapêuticas muito relevantes para a saúde pública, como a oncológica, com medicamentos orais”, afirma o executivo. Além das divisões de saúde, formadas pelos portfólios de medicamentos e produtos de consumo e remédios isentos de prescrição, a Bayer também atua no segmento de agricultura, com um portfólio de defensivos agrícolas.
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Um dos principais lançamentos da Bayer em 2024 foi a finerenona, prescrita para o tratamento da doença renal do diabetes. O medicamento é classificado pela Bayer como cardiorrenal, considerando as evidências de que, além de proteger o funcionamento dos rins, o estudo FINEARTS divulgado o ano passado, demonstrou eficácia da molécula no tratamento da insuficiência cardíaca.
A explosão de vendas de canetas injetáveis para tratamento de diabetes e obesidade, na avaliação de Adib Jacob, não deve provocar uma queda das vendas dos medicamentos para comorbidades associadas. “Há uma série de fatores que ocasionam a incidência de diabetes, como o histórico familiar no caso da diabetes tipo 1. Além disso, muitos pacientes podem estar com a doença sob controle mas apresentarem uma falha renal. Não vão ter menos pessoas com diabetes nos próximos vinte ou cinquenta anos”, afirma ao Valor.
Já o portfólio de saúde da mulher foi um dos destaques no chamado portfólio maduro. A companhia, que foi pioneira no mercado de pílulas anticoncepcionais na década de 1960, afirma que produtos como Mirena e Kyleena “estão em um ótimo momento”. O Mirena, dispositivo intrauterino com liberação local de hormônios, está sendo prescrito como alternativa na reposição hormonal para mulheres na menopausa. A companhia também aguarda a aprovação da molécula não-hormonal elinzanetant para o tratamento de sintomas vasomotores, como as ondas de calor e em distúrbios do sono, durante a menopausa. O faturamento da Bayer no Brasil, porém, foi impactado negativamente pelo fim da patente de exclusividade do anticoagulante rivaroxabana, comercializado sob a marca Xarelto.
Fonte: Valor Econômico