Banqueiros reunidos ontem em evento promovido pelo Santander se mostraram relativamente otimistas com a economia brasileira, apesar das incertezas. A visão é de que os dados de atividade atuais estão bons e que o início de um ciclo de redução de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) poderia aliviar a pressão sobre o Banco Central brasileiro, que já sinalizou a possibilidade até de uma alta da Selic. Enquanto isso, o cumprimento das metas fiscais segue sub judice.
O CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti, disse que o país vive um momento curioso, no qual os números da economia estão bons, mas há muita preocupação com o futuro. De acordo com ele, apesar das boas sinalizações, ainda há incertezas, por exemplo, quanto ao cumprimento do arcabouço fiscal e à manutenção da autonomia do Banco Central (BC). “Eu pessoalmente acho que o arcabouço fiscal vai ser cumprido, mas os agentes financeiros querem pagar para ver”, afirmou.
Segundo Sallouti, o cenário não é tão benigno quanto se imaginava no final do ano passado, mas também não é tão preocupante quanto se vislumbrou em algum momento do segundo trimestre, quando o dólar bateu R$ 5,70. “Acho que agora vamos ter um cenário externo muito positivo e o governo querendo recuperar a credibilidade do arcabouço e BC independente.”
O CEO do Santander Brasil, Mario Leão, disse que pode acontecer de o Fed cortar os juros e o Comitê de Política Monetária (Copom) subir. Esse, no entanto, não é o cenário base do banco. “Acho que podemos ter um cenário de acomodação que permita ao BC não subir juros. Estamos em momento de inflexão lá fora e potencial inflexão aqui.”
De acordo com ele, os dados mostram que a economia brasileira está sólida, mas não superaquecida, ou seja, não há uma pressão tão alta sobre a inflação. “Por enquanto, está tudo na faixa esperada, o que pode ser uma grande oportunidade.” O CEO global do Santander, Héctor Grisi, que veio ao Brasil para participar do evento, disse que toda vez que visita o país fica impressionado com o dinamismo da economia. “O Brasil não tem outra direção para ir a não ser para frente”.
O vice-presidente de Finanças e Controladoria da Caixa, Marcos Brasiliano, reafirmou que a instituição tem conversado com o BC para a redução de compulsório no crédito habitacional, em meio à queda na poupança, que dificulta o funding. “O BC já tomou medidas nesse sentido, quando há desabastecimento em alguma linha, ele atua. A última vez foi no depósito à vista, na parte que é direcionada a microfinanças”. Para ele, na questão da moradia popular não há problemas, a dificuldade está na classe média, que depende de linhas do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), onde os juros são limitados a 12% ao ano.
O diretor financeiro e de mercado de capitais do BNDES, Alexandre Abreu, afirmou que hoje o banco não dá mais crédito subsidiado, sendo que seu principal diferencial é em termos de prazos mais longos. Segundo ele, a única exceção, ou seja, com subsídios, é uma linha para inovação.
Fonte: Valor Econômico


