Injeção de R$ 1,5 bilhão melhora a estrutura de capital da empresa e reduz sua desalavancagem
PorVictor Meneses ,Cristiana Euclydes eFelipe Laurance
, Valor — São Paulo
O aumento de capital de R$ 1,5 bilhão anunciado pela Oncoclínicas na noite de ontem gerou reações positivas no mercado, com as ações da companhia chegando a subir 19% na sessão desta quinta-feira (23). Na opinião de analistas, o movimento é positivo, uma vez que melhora a estrutura de capital da empresa e apoia sua desalavancagem.
Os analistas Leandro Bastos e Renan Prata, do Citi, escrevem, em relatório, que o aumento de capital tem um prêmio considerável de subscrição de R$ 13 por ação, ancorado pelo Banco Master e pelo diretor-presidente da empresa, o que deverá aumentar suas participações para 17% e 9%, respectivamente.
Marcio Osako, do Brasdeco BBI, ressaltou a meta da companhia de alcançar alavancagem de 2,0 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda ao fim de 2024, indicando que a Oncoclínicas projeta uma recuperação robusta nos resultados e na geração de caixa.
Por outro lado, Yan Cesquim e Samuel Alves, do BTG Pactual, afirmam que o consumo de caixa e o endividamento da Oncoclínicas continuam preocupantes, destacando a necessidade de uma injeção de capital privado em meio a este cenário desafiador. Eles comentam que vão aguardar mais a execução antes de serem mais otimistas sobre a empresa.
O Goldman Sachs também apresentou uma visão parcialmente positiva, afirmando que a nova injeção de capital reduzirá a alavancagem no curto prazo, o que tem seu mérito, mas que ainda não há visibilidade de quando a geração orgânica de caixa poderá se normalizar, já que alguns dos principais clientes da empresa enfrentam condições financeiras restritivas, como a Unimed no Rio de Janeiro.
Segundo os analistas Gustavo Miele e Emerson Vieira, desde o quarto trimestre de 2023 a geração de caixa da Oncoclínicas foi decepcionante, uma vez que o consumo de capital de giro continuou a ser um dos principais impulsionadores do aumento da alavancagem.Eles destacam como principais riscos às perspectivas da empresa a concorrência mais acirrada com hospitais, piores condições comerciais para aquisição de medicamentos e maior concorrência de fusões e aquisições.
Citi, Bradesco BBI, BTG Pactual e Goldman Sachs têm recomendação de compra para as ações da Oncoclínicas, com preços-alvos a R$ 10, R$ 11, R$ 13 e R$ 15, respectivamente.
Mais recente Próxima Boeing diz que fluxo de caixa está pior do que se imaginava, e ações caem 6%
Fonte: Valor Econômico