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O primeiro trimestre de 2024 deve mostrar aceleração do ritmo de atividade no país após a economia patinar na segunda metade de 2023. Esta retomada, no entanto, está ameaçada pelo choque trazido pelas enchentes no Rio Grande do Sul, avaliam economistas.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 1,08% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2023. Conhecido como “prévia do PIB do BC”, o indicador também mostrou alta de 1,68% nos 12 meses até março.
Na comparação de março com o mês anterior, houve queda de 0,34%. O resultado veio abaixo da mediana das estimativas colhidas pelo Valor Data (recuo de 0,1%), mas ficou dentro do intervalo das projeções, que iam de queda de 0,8% a crescimento de 0,5%.
O IBC-Br tem metodologia de cálculo distinta das contas nacionais calculadas IBGE, mas é considerado um bom indicador antecedente do que ocorre com o PIB.
Embora a leitura do mês tenha vindo ligeiramente abaixo do esperado, resultado segue condizente com uma expansão de 0,6% do PIB no primeiro trimestre, avalia o economista-chefe do BMG, Flávio Serrano.
Transpondo para o resultado do PIB, o economista espera uma indústria de lado e serviços ainda um pouco fraco, mesmo com incorporando a surpresa altista do varejo. “A agricultura deve mostrar o melhor resultado entre setores na ótica do varejo, ainda que distante da surpresa que foi o primeiro trimestre de 2023.”
Do lado da demanda, Serrano vê o consumo das famílias com bom desempenho, ao passo que o do governo segue uma incógnita, mas pode ter algum resultado positivo também. Já o investimento devem apontar boa recuperação após a queda de 3% em 2023.
Para o economista-chefe do banco ABC Brasil, Daniel Xavier, o IBC-Br aponta um ritmo sólido de expansão do PIB após ficar de lado no segundo semestre de 2023, com alta de 0,1% no terceiro trimestre e estabilidade no quarto.
A sua projeção de alta de 0,8% entre janeiro e março tem viés de alta. “No entanto, dada as diferenças de metodologia entre o indicador do BC e do IBGE, acredito que 0,8% continua bastante justo”, diz.
A XP Investimentos ressalta que o resultado negativo de março encerra sequência de quatro avanços consecutivos. Apesar disso, ele continua condizente com um bom desempenho no período, avalia o economista Rodolfo Margato.
“A atividade econômica fortaleceu-se nos últimos meses. O consumo das famílias se destaca em meio à expansão da renda real disponível e à melhoria nas condições do mercado de crédito. Adicionalmente, os investimentos em ativos fixos se recuperaram após desempenho fraco no ano passado”, diz o analista em comentário distribuído.
A maior questão, no entanto, é se essa retomada da economia será interrompida pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Vale notar que o carregamento estatístico do IBC-Br do primeiro para o segundo trimestre é praticamente nulo, de -0,1 ponto porcentual (p.p.).
“Nossa projeção para o crescimento do PIB em 2024 – atualmente em 2,2%– possui viés baixista, dada a catástrofe natural no Rio Grande do Sul. Segundo nossas estimativas preliminares, o impacto no PIB do Brasil será de cerca de -0,3 p.p. em 2024”, segue Margato.
Na visão de Xavier, o choque na região Sul deve tirar 0,3 p.p. do PIB somente no segundo trimestre. “Sem esse choque, nossa projeção para o período era de alta de 0,7%. Agora, passou para 0,4%”, diz.
Para o ano, no entanto, Xavier acredita que os esforços de reconstrução no Estado devem resultar em impacto líquido perto de zero. Assim, o ABC Brasil segue com expectativa de expansão de 2,3% do PIB este ano.
Embora também conte com uma aceleração na segunda metade do ano, reagindo aos estímulos fiscais que serão concedidos ao Rio Grande do Sul, Serrano acredita em impacto líquido negativo para a perspectiva econômica este ano.
“Tinha um viés de alta para a expansão de 1,8% do PIB em 2024, mas esse evento [tragédia no Rio Grande do Sul] meio que limpou esse fator”, afirma.
Fonte: Valor Econômico
