O banqueiro André Esteves, sócio sênior e presidente do conselho do BTGCotação de BTG Pactual, afirmou ontem que não vê o mundo olhando com apreensão as eleições brasileiras.
“Eu não vejo, do ponto de vista de investimento de longo prazo, a eleição sendo um grande tema, não”, disse o banqueiro na Brazil House, espaço criado pela iniciativa privada, em Davos, na Suíça, para reuniões com investidores e discussões de temas relacionados aos seus negócios durante o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). Além do BTGCotação de BTG, Be8, GerdauCotação de Gerdau, RandoncorpCotação de Randoncorp e Vale são as empresas patrocinadoras do espaço, que foi criado no ano passado.
Esteves vê o Brasil atraente para investidores estrangeiros em importantes setores da economia e acredita que este cenário pode ser benigno para o mercado de capitais.
O banqueiro evita, contudo, falar sobre possíveis candidaturas da direita e potencial de polarização das urnas em outubro de 2026. E lembrou que o cenário para corrida presidencial vai estar mais claro em poucos meses. “Eu não tenho ouvido [de investidores] sobre decidir [sobre investimentos] depois das eleições.”
Na primeira pesquisa Genial/Quaest do ano, divulgada na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição, manteve a liderança na disputa presidencial, nos dois turnos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), lançado como pré-candidato com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), consolidou-se na oposição e tem o maior percentual de intenção de voto entre os adversários de Lula. Em um eventual segundo turno, no entanto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é quem apresenta uma diferença menor em relação ao presidente.
Esteves está otimista em relação a aberturas de capital (IPO, na sigla em inglês) para este ano. Roberto Sallouti, CEO do banco, disse que o caminho natural têm sido as operações de “block trade” (compra de ações em bloco), depois “follow-ons” (oferta secundaria de ações) e potenciais IPOs.
O fundador do BTGCotação de BTG reforça que este cenário pode se beneficiar com a bolsa batendo recordes e expectativa de redução da taxa básica de juros a partir deste ano. Sallouti lembra que há empresas que já estão se preparando para abertura de capital nos últimos meses.
Segundo Esteves, o Brasil tem também um forte potencial para atrair investimentos bilionários ao país para o setor de data centers está em franca expansão. “O país tem condições de atrair tanto o Tik Tok quanto a Meta”, disse.
Para o banqueiro, a iniciativa privada brasileira estar bem posicionada em Davos é importante. “Neste momento em que o Brasil está praticamente concluindo o acordo do Mercosul juntamente com a União Europeia, embora ainda tenha um trâmite legal, uns desafios adiante, sem dúvida, a gente vê a importância de estarmos mais ainda posicionados aqui”, disse.
Para os empresários Daniel RandonCotação de Randon, do grupo Randoncorp, e Erasmo Battistella, da Be8, o acordo entre Mercosul e UE será muito importante para as empresas nacionais. RandonCotação de Randon destacou que o Brasil precisa pensar na agenda fiscal. “Na cadeia, isso também é um desafio que o Brasil tem que trabalhar e olhar a longo prazo, no momento que esses acordos bilaterais ocorrem”, disse RandonCotação de Randon.
O governo brasileiro, por sua vez, terá novamente uma presença tímida neste ano no fórum econômico mundial. Pela atual programação, somente a ministra Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, deverá representar o governo no evento.
Fonte: Valor Econômico