Por Altamiro Silva Junior (Broadcast)
08/09/2025 | 22h00
Atualização: 08/09/2025 | 22h22
A fintech sueca Klarna deve definir nesta terça-feira, 9, o preço de venda de suas ações em uma oferta bilionária na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse). A expectativa é que a operação funcione como um termômetro para o apetite do investidor em papéis de empresas de tecnologia do setor financeiro e bancos digitais, em um momento que companhias brasileiras estão monitorando de perto o mercado norte-americano para também lançar ações em Nova York. Mas, mesmo que a Klarna consiga vender bem os papéis, os indícios são de que a realidade hoje é outra para essas ofertas nos Estados Unidos.
Se a ação sair no topo da faixa, como fontes sinalizam que deve acontecer, a fintech sueca seria avaliada muito abaixo do que foi no passado recente, na época dos juros perto de zero. Com a ação no topo da faixa sugerida, de US$ 35 a US$ 37, a Klarna será avaliada em US$ 14 bilhões, distante dos US$ 45,6 bilhões que foi avaliada em junho de 2021, quando recebeu uma rodada de investimento liderada pelo gigante japonês Softbank. Na época, foi o patamar mais alto já alcançado por uma fintech europeia, segundo um comunicado da própria empresa daquele momento.
Foi também em 2021, que a última fintech brasileira conseguiu fazer um IPO em Nova York, com o Nubank vendendo ações em dezembro daquele ano. O banco digital, com lucros e margens em alta, hoje vale mais do que naquela época. Nesta segunda-feira, foi avaliado em US$ 73 bilhões, ante US$ 45 bilhões de quando fez a oferta de ações.
Efeito Trump
Entre as brasileiras interessadas em lançar ações em Nova York, a mais citada é a PicPay, que já tentou fazer uma oferta no passado e, segundo fontes, é a que está mais preparada atualmente. Outros nomes citados são a Cloudwalk, dona das maquininhas InfinitePay, a Creditas, de financiamentos, o Ebanx, de tecnologia para transações de pagamentos, e o banco digital Neon.
A Klarna é uma fintech que atua com o “compre agora, pague depois” (‘buy now, pay later’), um modelo de financiamento que permite aos consumidores parcelar compras sem a necessidade imediata de um cartão de crédito, como em um crediário. A empresa vai listar ações na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), em uma oferta que pode levantar US$ 1,4 bilhão.
A fintech planejava fazer a oferta mais cedo este ano, mas foi forçada a adiar a operação em abril por conta da forte volatilidade causada por Donald Trump com as tarifas impostas a vários países. A oferta é coordenada por Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley e tem ainda mais 11 bancos envolvidos.
Procurada, a PicPay não se pronunciou. A CloudWalk respondeu que se “decidisse abrir capital hoje, estaria entre as companhias de maior destaque global em crescimento, receita e lucratividade”. “Mantemos uma das mais altas relações de receita por colaborador entre empresas de tecnologia no mundo. Nos últimos anos, dobramos de tamanho anualmente, impulsionados pela aplicação de inteligência artificial em todas as frentes da operação. Em 2024, alcançamos R$ 339 milhões em lucro líquido, quase o triplo do registrado no ano anterior. Hoje, mais de 5 milhões de clientes da InfinitePay no Brasil já contam com um agente inteligente integrado ao aplicativo. Entendemos que ainda temos espaço para continuar crescendo e que o IPO não faz parte da nossa estratégia de curto prazo”, afirmou em nota. As outras empresas citadas não responderam até o fechamento desta nota.
Esta notícia foi publicada noBroadcast+no dia 08/09/2025, às 17:02
Fonte: Estado de S. Paulo


