Por Tsukasa Hadano e Iori Kawate — Nikkei, de Pequim
02/01/2023 05h02 Atualizado há 5 horas
Tornou-se praticamente uma certeza que Li Qiang, o novo número 2 do Partido Comunista da China e forte aliado do presidente Xi Jinping, assumirá o cargo de primeiro-ministro em março sem primeiro cumprir um mandato como vice-primeiro-ministro para ganhar experiência, como é habitual.
O Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo encerrou sua última reunião na sexta-feira sem nomear Li como vice-primeiro-ministro, com o que, basicamente, perdeu sua última oportunidade de fazê-lo.
Os laços entre os dois vêm da época em que estavam na província de Zhejiang e Li deu apoio para que Xi assumisse o cargo de dirigente local. Depois de um período como chefe do Partido Comunista de Xangai, Li foi nomeado em outubro para o Comitê Permanente do Politburo, o principal órgão decisório do partido.
Até hoje, todos os primeiros-ministros da República Popular da China, exceto o primeiro, Zhou Enlai, tinham passado algum tempo como vice-primeiros-ministros. O primeiro-ministro tem ampla autoridade sobre política econômica, programas de bem-estar social e política fiscal, e supervisiona todos os 26 ministérios e comissões em nível de Gabinete – ou seja, é um cargo cujas funções não podem ser aprendidas de um dia para o outro.
Zhu Rongji, que foi primeiro-ministro sob Jiang Zemin, tomou medidas drásticas para reformar as empresas estatais. Mas primeiro ele foi vice-primeiro-ministro por sete anos, na década de 1990. O atual primeiro-ministro, Li Keqiang, foi vice por cinco anos.
Há indicações de que originalmente esse também era o plano de Xi para Li Qiang. Em março de 2021, o Congresso Nacional do Povo reformulou a lei para permitir que seu comitê permanente, que se reúne a cada dois meses, escolhesse ou demitisse vice-primeiros-ministros, em vez de ter de esperar pela aprovação de toda o Parlamento em sua reunião anual.
Mas, depois de Li ter recebido fortes críticas por causa do lockdown de Xangai em abril, Xi provavelmente deu prioridade a colocar seu aliado nos escalões mais altos do partido.
Fonte: Valor Econômico


